O prédio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi ocupado ontem de manhã, durante duas horas e 15 minutos, por cerca de 150 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), que protestaram contra o leilão de privatização da Telebrás e o uso de recursos do banco para financiar os consórcios de empresas que disputarão a compra do sistema de telecomunicações. O presidente do banco, André Lara Resende, e o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, estavam no prédio, mas não receberam nenhum militante.
A manifestação do MST foi pacífica e representou apenas um ato político, que começou às 10h30 e terminou às 12h45. Enquanto os manifestantes ficaram no térreo cantando o Hino Nacional e gritando palavras de ordem, uma comissão de cinco militantes foi recebida pelo superintendente administrativo do BNDES, Nelson Tavares Filho, e pela diretoria da associação de funcionários do banco.
A instituição fez uma nota oficial registrando o ato de protesto do MST e divulgou para a imprensa. Antes de sair do banco, militantes picharam, com tinta vermelha, as portas de vidro na entrada do prédio com as frases: ‘‘Não à privatização da Telebrás, ela é do povo, MST e a Telebrás são nossas, privatiza a mãe FHC.’’ A maioria dos manifestantes do MST não conhecia as funções do BNDES.
Os manifestantes chegaram à sede do banco pedindo que o BNDES desse recursos para o assentamento dos sem-terra, em vez de financiar os compradores da Telebrás. ‘‘O banco devia usar o dinheiro para ajudar os trabalhadores a ter sua própria terra para plantar’’, protestou Amenailde Neto da Cruz, de 75 anos.
Ela disse que a intenção do grupo que invadiu o prédio era mostrar que a população está na luta por terra. ‘‘Tem muita gente passando fome, o desemprego é grande’’, foram algumas das frases soltas com que Amenailde, assentada em Campos (RJ), justificou sua participação no ato.

mockup