A Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento realiza após o carnaval, uma operação especial para vacinar contra a febre aftosa cerca de seis mil cabeças de gado das Fazendas Canadá e Corumbataí, conhecidas como ‘‘Sete Mil’’, em Jardim Alegre (115 km ao sul de Apucarana). Ocupada por militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), somente 1.855 animais haviam sido vacinados pelo proprietário pouco antes da invasão da sede, ocorrida em agosto de 98.
O coordenador da Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Felisberto Queiroz Baptista, disse que a responsabilidade pela vacinação é do proprietário ou dos dententores de animais a qualquer título, no caso, os sem-terra. O gerente da Sete Mil, Márcio Reis, informou que ele e funcionários da fazenda estão impedidos de chegar perto da propriedade ‘‘sob ameaças de morte’’. ‘‘Esta semana até os funcionários do Núcleo Regional da Seab em Ivaiporã foram impedidos de entrar lá pelos sem-terra’’, denunciou.
Felisberto Baptista garante que foi realizado um acordo entre a Seab e o MST, garantindo a vacinação dos animais. ‘‘Constatamos cerca de seis mil animais. Mesmo com as quase duas mil cabeças vacinadas, há necessidade se vacinar todos os animais, porque eles estão misturados’’. As vacinas foram compradas por Márcio Reis, porém, o coordenador da Defesa Sanitária explicou que os sem-terra é que terão que realizar as vacinas sob a supervisão dos técnicos.
‘‘Os sem-terra estão conscientes da necessidade de se vacinar todos os animais. Não podemos deixar nenhum de fora, senão o trabalho de erradicação da febre aftosa no Estado, realizado há vários anos, corre o risco de ir por água abaixo’’, enfatizou. Caso haja empecilho na realização deste trabalho, os sem-terra correm o risco de serem responsabilizados criminalmente e administrativamente pela Seab. A Fazenda Sete Mil é a única área no Estado que ainda não foi coberta totalmente com a vacinação realizada em novembro.

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