O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Londrina (Sintracom) estuda a possibilidade de entrar com uma medida cautelar contra a ConstruHaba Construções Inteligentes, para garantir o pagamento dos salários e rescisões dos funcionários da empresa.
A construtora funcionava na zona norte e fechou as portas na semana passada sem avisar funcionários e clientes. Segundo os funcionários, desde novembro havia sinais de que alguma coisa não estava indo bem. Os salários de novembro foram pagos com cheques sem fundo, de acordo com eles. Não receberam o 13º salário e nem os valores referentes a dezembro.
Os funcionários alegam que a empresa também não pagou vale transporte e a cesta básica. "Muitos pedreiros estão com os pagamentos atrasados. Recebi o pagamento com um cheque sem fundo. Troquei com um agiota e agora o cara está atrás de mim", contou o pedreiro Luciano Amorin, de 29 anos.
A recepcionista Layne Veras, de 17 anos, foi contratada em novembro e também vem passando dificuldades. Ela está grávida e de casamento marcado. "Estou devendo o dinheiro do buffet do casamento", disse. A assistente administrativa da construtora, Tais Gonçalves Pimenta, de 27 anos, tentou uma vaga em outra empresa, mas como ainda não foi feita a rescisão ela não conseguiu o emprego. "A situação está complicada. As contas estão atrasadas e se acumulando. Estou dependendo da ajuda da minha mãe para viver", comentou.
De acordo com o advogado do Sintracom, Jorge Custódio Ferreira, desde novembro o sindicato vem recebendo denúncias contra a construtora por falta de pagamento e negligência no ambiente de trabalho. Em um dos casos, segundo Ferreira, um pedreiro foi enviado para outra cidade para fazer uma obra e ficou três dias na rua sem assistência da empresa. A ConstruHaba tem nove funcionários com carteira assinada, três vendedores comissionados e, segundo os empregados, cerca de 30 pedreiros contratados sem registro.

BOLETIM DE OCORRÊNCIA
Os clientes denunciaram a empresa à Polícia. Segundo o delegado-titular da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Sebastião Ramos dos Santos Neto, quase 50 pessoas registraram boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial. Por enquanto, de acordo com ele, a polícia está registrando os casos para analisar a situação e avaliar se houve estelionato. A orientação do delegado para quem se sentir lesado é procurar o 5º DP com o contrato para registrar o boletim de ocorrência.
A ConstruHaba fazia obras de reforma e construção de casas em várias cidades da região. Há clientes em Londrina, Ibiporã, Cambé, Jataizinho, Sertanópolis, Rolândia, Tamarana, Centenário do Sul, Porecatu e Alvorada do Sul.
A empresa não entregou ou nem começou a maioria das obras. Uma das clientes, que prefere não se identificar, contou que perdeu quase R$ 60 mil. Ela contratou a empresa para reformar uma casa e construir outra. Nenhuma das obras saiu do papel. "Estou muito abalada com essa situação", disse. Ela registrou boletim de ocorrência.
A funcionária pública aposentada Neusa Maria Aparecido contratou a ConstruHaba para fazer uma casa em uma chácara em Alvorada do Sul. A obra que teria que ter sido concluída em dezembro começou atrasada e está só com 30% construídos. "Ele (Flávio Humberto Militão, responsável pela empresa) me ligou dizendo que a advogada da empresa vai me procurar e disse que o que aconteceu foi má administração", contou.
Neusa começou a desconfiar de que havia algo errado quando o início da obra atrasou. "Um mês depois de começar, a obra parou, procurei a empresa várias vezes, o tempo foi passando e eu sempre cobrando", recordou a aposentada. Ela contou que quando contratou o serviço a empresa parecia idônea. "Ele me levou para ver obras. Parecia tudo bem", comentou. Neusa contratou um advogado para entrar com uma ação contra a empresa.

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