Sem reformas, Brasil não vai crescer
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sábado, 18 de novembro de 2006
Da Redação 
A arrecadação federal em outubro bateu em R$ 36 bilhões, conforme dados da Receita Federal divulgados ontem. No ano, a arrecadação soma R$ 324,987 bilhões, 4,97% a mais do que no mesmo período do ano passado.
Apesar do crescimento da arrecadação bater recordes a cada período, o crescimento do Produto Interno Bruto do país não deve chegar a 3%. O próprio governo reduziu a expectativa para apenas 2,97%. É um dos piores índices entre todos os países em desenvolvimento.
Mesmo assim o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está conversando com a equipe econômica insistindo para que o crescimento do país em 2007 chegue a 5%, ou seja, quase o dobro do previsto para este ano. Os indicadores, porém, mostram que a possibilidade de chegar aos 5% em 2007 é apenas uma ilusão governamental.
''A matemática é simples. O governo gasta muito mais do que arrecada. Desta forma não sobra dinheiro para investir em educação, em infra-estrutura, ou simplesmente reduzir as taxas de juros a patamares aceitáveis'', diz o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro.
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, divulgado no início da semana, mostra um cenário bem mais cinzento do que o imaginado pelo presidente Lula. Segundo a análise do Ipea, o Brasil precisaria fazer uma série de ajustes na economia entre elas a desoneração da folha de pagamento nas empresas, redução da taxa de juros, redução gradativa da CPMF, redução no custo da máquina pública, investimento em infra-estrutura para só então pensar em um crescimento do PIB mais substancial. E mesmo assim o Ipea prevê que a economia só teria condições de chegar aos 5% de crescimento ao ano em 2017.
Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o estudo do Ipea está ''totalmente equivocado''. O ministro disse que o Brasil continua com condições muito favoráveis para o crescimento, mas admitiu que para isso o governo terá que tomar medidas adicionais. Mas ele não explica, por exemplo, que seriam necessários muito mais investimentos no curto prazo para solucionar a questão da produção de energia elétrica para bancar um possível crescimento mais acelerado da economia. Outra questão é a readequação dos portos brasileiros para que o país possa aumentar as exportações. Os portos do país estão entre os menos eficientes do mundo.
''O governo precisa parar de apresentar apenas medidas paliativas para a economia. Da forma como o governo faz de nada adianta. O gargalo dos gastos públicos e mal administrados é muito grande e não é só com discurso que a economia cresce, é preciso investimento e por vários anos seguidos'', afirma Ribeiro.
Na opinião dele, o governo parece aquela família que, ao ver as contas da casa desorganizadas e o caos tomando conta das finanças resolve tomar medidas drásticas como por exemplo, tomar apenas um banho por semana ou reduzindo o número de refeições. ''São medidas que não resolvem e só empurram o problema para frente. O fato é que as despesas correntes do país aumentam bem mais do que o PIB e aí a conta não fecha. Está mais do que na hora do governo se mexer e esquecer o palanque. Está na hora do governo apertar o cinto e promover uma reforma administrativa e econômica que realmente produza efeitos a longo prazo. Sem isso, vamos continuar patinando ou crescendo apenas no discurso'', diz Ribeiro.


