Uma reunião hoje, em Washington, pode representar um passo a mais para o fechamento do Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca). A informação foi dada, ontem, pelo subsecretário adjunto para a América Latina, o norte-americano Jim Derham.
  A negociação, que envolve 34 países do hemisfério norte, pode originar o maior bloco comercial do planeta, reunindo 80 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 12 trilhões. Co-presidindo as negociações da Alca até 2005, Brasil e Estados Unidos têm papel de destaque e serão representados pelo diplomata do Itamaraty, Adhemar Bahadian e pelo co-presidente dos EUA para a Alca, Peter Allgeier.
  Derham está otimista e acredita que a reunião de hoje pode ser o início de um entendimento sobre os itens que têm dificultado a adesão brasileira ao acordo. As maiores dificuldades ainda são subsídios e tarifas não-alfandegárias, que protegem os produtores norte-americanos da concorrência externa.
  Os Estados Unidos não acenam com a possibilidade de reduzir tarifas e subsídios, ponto que ainda emperra a adesão brasileira ao bloco. Os norte-americanos só admitem discutir o assunto na Organização Mundial do Comércio (OMC). Já o Brasil está disposto a flexibilizar itens como produtos industrializados, investimentos e áreas de acesso a mercados e serviços.
  Para o subsecretário, o Brasil deverá aderir ao acordo dentro do prazo legal, que termina em janeiro de 2005. Se fechar o acordo em termos favoráveis, o país, diz Derham, pode crescer e ampliar sua participação no mercado internacional.
  Um estudo feito pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio apontou que em setores fortes como café, papel, celulose, cítricos, couro, calçados, têxtil e siderurgia, que representam mais de um quarto das exportações brasileiras, os investimentos resultariam em um salto de quantidade e qualidade para os produtos.
  Já em setores como madeira e móveis, cosméticos e cerâmicas seria necessário modernizar a produção nacional para evitar uma inundação de produtos importados. A pesquisa afirmou também que ainda existe risco para os mercados brasileiros de bens de capital, químicos e plásticos.

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