''Este é um cenário que eu não gostaria nem de pensar.'' Foi desta forma que o presidente da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Meneghetti, reagiu à declaração de ontem do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a possibilidade do governo não prorrogar a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os veículos novos. De acordo com o ministro, a redução - que iniciou em maio e segue até dia 31 deste mês - foi muito bem sucedida no objetivo de impulsionar a indústria do setor. Mantega completou dizendo que não está em ''cogitação neste momento a prorrogação do prazo'', justificando que ''o que foi combinado é o que estamos cumprindo''.
De acordo com a Fenabrave, após a redução dos encargos sobre os veículos novos houve um incremento de 27% nas vendas do setor, impulsionado principalmente pelos chamados carros de entrada (1.0, com opcionais básicos), que sofreram queda nos preços em média de 10%. Números da entidade apontam que os emplacamentos diários no País saltaram de 13 mil para 16 mil unidades após a queda do IPI. ''O mercado reagiu graças a um conjunto de ações que envolveram o governo e a indústria automobilística. Caso a prorrogação do prazo não ocorra, certamente o mercado vai voltar a esfriar'', decretou Meneghetti.
O mês de julho deste ano foi prova do impacto de tal medida. Ainda não há dados fechados, mas ele pode ser o melhor de toda a série histórica, finalizando com 360 mil carros comercializados, média de 11,6 mil automóveis por dia. ''Antes da redução do IPI, estávamos com a expectativa de fechar este ano com retração de 1,5%. Agora, com menos impostos, me sinto autorizado a esperar um incremento de 3%. Caso voltemos às condições de venda anteriores, o número pode voltar a ficar negativo'', avaliou Meneghetti.
O presidente da Fenabrave disse ainda que caso o governo permaneça com este pensamento de não prorrogar o IPI, a entidade pretende realizar uma nova rodada de negociações no Distrito Federal. ''Vamos tentar uma nova conversa, para apresentarmos todo o cenário do setor neste momento.''
Durante a declaração de ontem em Brasília, o ministro Mantega disse ainda que o governo havia feito um ''pacto'' com a indústria. A troca era a seguinte: o governo reduziria o IPI e, em contrapartida, o setor automobilístico se comprometeria a manter ou aumentar o nível de empregos. ''Estávamos preocupados com os projetos da indústria que tem grande participação na geração de empregos e no desenvolvimento do País'', analisou.
Os programas de investimento, de acordo com o ministro da Fazenda, seguem entre 2012 e 2015 e atingem o valor de R$ 22 bilhões. ''Mais isso só vai ocorrer se o mercado continuar crescendo'', completou ele. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Sem redução de IPI, Fenabrave prevê ‘esfriamento’
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