Sem propaganda, Sercomtel perde mais de 8,4 mil clientes
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Sem poder fazer propaganda há mais de dois anos, a Sercomtel perdeu 8.436 clientes de celular somente em 2013. Em dezembro de 2012, a operadora tinha 69.507 linhas de telefonia móvel e, no mês passado, chegou a 61.071. A queda é de 12%. Desde dezembro de 2009, quando tinha 85.124 linhas, a empresa vem perdendo clientes ano após ano. A redução no período é de 28%. Os números são da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Na telefonia fixa, a situação da Sercomtel é melhor. No ano passado, até outubro, a empresa ganhou 4.572 clientes, totalizando 158.885 linhas, segundo o site da agência. O crescimento é de 3%. Comunicado divulgado pela empresa, no entanto, mostra um aumento maior, de 10%. Seriam 19.150 novos acessos no ano passado. A reportagem não conseguiu esclarecer a divergência ontem com a operadora.
Na comparação com 2010, há um recuou de 0,19% no número de clientes da telefonia fixa. Olhando para 2007, quando havia 153.609 linhas fixas, o aumento é de 3%. Já, na banda larga, a empresa municipal tem o melhor desempenho. Ganhou 8.135 clientes no ano passado, totalizando 75.767 - crescimento de 12%. Na comparação com 2011, o aumento é de 15%.
O balanço da operadora do ano passado ainda não foi divulgado. Em 2012, a Sercomtel registrou prejuízo de R$ 65 milhões. Levantamento feito pela reportagem no ano passado, no site da empresa, mostra que, de 2001 a 2011, o prejuízo foi de R$ 74 milhões, sem correção.
Nem todos os problemas da Sercomtel podem ser atribuídos à falta de propaganda. Mas a queda dos clientes de telefonia celular se deve principalmente a este fator, segundo especialistas. "Operadora de celular que não gasta em publicidade vai ter aquisição menor de novos clientes e vai acelerar a perda dos que ela já tem", afirma Eduardo Tude, presidente da Teleco consultoria em telecomunicações.
Ele ressalta que, sem uma agência de publicidade, a empresa não pode divulgar o lançamento de novos produtos. "Como a operadora vai divulgar um novo plano para os clientes potenciais se não pode fazer publicidade?", questiona. O consultor defende a privatização do serviço de telefonia realizada no Brasil nos anos 1990 e diz que é muito difícil uma empresa pública competir neste setor. "A telefonia exige investimentos pesados a toda hora. A empresa pública tem mais dificuldade de fazer esses aportes, além de ser engessada e mais lenta", declara.
Para o coordenador do MBA em Marketing da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Romeu Telma, não é possível uma empresa de telefonia competir no mercado sem publicidade. "Ficar sem propaganda torna a empresa débil. Ela passa a ser esquecida pelos clientes potenciais", afirma. Ele lembra que o papel da publicidade é "informar, persuadir e lembrar". "A Sercomtel tem um residual de lembrança porque está há muitos anos no mercado londrinense, mas esse residual precisa ser ativado", declara.
Segundo o professor, já que não pode fazer propaganda por enquanto, o departamento de comunicação da empresa deve tirar proveito da impugnação do edital da licitação (leia mais no primeiro caderno). "O fato pode ser usado a favor da Sercomtel. Ela deve aproveitar o espaço que o fato abre para ela na mídia. Fazer do limão uma limonada", ressalta.
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