SEM PRECONCEITO - Ovo não tem glamour?
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
Ovo não tem glamour. Foi o que apontou pesquisa qualitativa realizada em três capitais brasileiras - Porto Alegre, São Paulo e Recife. Fora o pequeno lugar de destaque do alimento à mesa do brasileiro, o levantamento mostrou que os consumidores desconhecem alguns benefícios e valores nutricionais do produto e convivem diariamente com alguns mitos relacionados ao alimento: colesterol, hormônios e salmonela.
''Quem come ovo ou mortadela é pobre, acreditam as pessoas. Ninguém convida um amigo para almoçar em casa em um domingo e oferece ovo. O alimento não tem glamour'', acrescenta José Roberto Bottura, diretor-executivo da Ovos Brasil, entidade criada há um ano com o objetivo de promover o consumo do produto. A pesquisa ouviu consumidores, médicos e nutricionistas e foi feita a pedido da instituição que, a partir desses dados, começa a nortear ações estratégicas para desmistificar algumas questões a respeito do produto e com isso colocá-lo em lugar de destaque na alimentação diária do brasileiro.
Segundo dados da entidade, o consumo de ovos no Brasil é muito pequeno se comparado ao de outros países. Anualmente o brasileiro come em média de 132 a 134 unidades. Entre os países mais consumistas do produto estão o Japão, Israel e França, com uma média de 300 unidades/ano, seguidos dos Estados Unidos com o consumo de 270 ovos.
''O consumo de ovo no Brasil é baixíssimo, seja por questões culturais ou até mesmo sociais. Falta informação'', ressalta Bottura, frisando que muitas opiniões distorcidas e o desconhecimento sobre os valores do produto não se resumem apenas aos consumidores, mas também às classes de médicos e nutricionistas.
Outra informação importante apontada na pesquisa é a de que o consumidor não se sente completamente à vontade para consumir ovos, pois não sabe se o alimento é bom ou ruim. Bottura destaca que um dos maiores mitos que envolvem o alimento é a salmonela, bactéria que pode provocar diversas doenças grastrointestinais. ''A salmonela pode vir de qualquer produto animal e vegetal, não necessariamente do ovo'', diz o diretor da Ovos Brasil.
Outro fator que limita o consumo do alimento é o colesterol. Segundo Bottura, já existem pesquisas que apontam que não é todo colesterol que interfere no nível sanguíneo. Além disso, acrescenta ele, o ovo contém em média 240 miligramas de colesterol, parte do que o ser humano precisa diariamente. ''O problema é que ainda não existe um consenso sobre a questão do colesterol no alimento'', frisa.
Outra discussão é o uso de hormônio nas aves poedeiras. Conforme o diretor da Ovos Brasil, já ficou comprovado que não há uso de hormônio na produção de ovos.
Na tentativa de quebrar alguns costumes e mitos, a entidade pretende atuar em diversos pontos para alcançar o consumidor. O site da instituição deve entrar no ar no próximo dia 8 de outubro. No local, serão disponibilizadas informações sobre produção, valores nutricionais, receitas, agenda com palestras sobre o alimento, comentários de médicos e nutricionistas, informações dirigidas aos produtores e revendedores, entre outros. A Ovos Brasil também pretende promover a divulgação do produto junto aos veículos de comunicação e realizar palestras em universidades para chegar até estudantes de medicina e nutrição.


