Sem planejamento, salário vai acabar antes do mês
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quinta-feira, 31 de março de 2005
Marilena Rocha<br>Agência Estado 
São Paulo - Não importa o salário que a pessoa receba, seja R$ 500 ou R$ 5 mil, se não houver um planejamento do seu uso, provavelmente ele vai acabar muito antes de chegar o fim do mês. Daí, os experts aconselharem os que sonham em se livrar de dívidas e ter uma vida financeira saudável a colocarem no papel tudo o que gastam no dia a dia.
Para o consultor de negócios do Senac-SP, Alexandre Francisco Zanata, deve-se tomar muito cuidado ao se fazer gastos para satisfazer as necessidades. ''O grau de satisfação de cada um deve estar ligado ao nível da receita. Ou seja, tem de ser compatível com o que se recebe.'' Ele reconhece que não é fácil equilibrar ganhos e gastos. ''Pregar esse equilíbrio é bem fácil, mas colocar em prática requer muita força de vontade e controle'', diz.
Zanata é favorável a que o chefe de casa encare a família como uma empresa. ''Como uma empresa tem vários departamentos, a família tem vários entes e todos devem trabalhar sintonizados.'' Todos têm de conhecer os objetivos da família. ''Têm de saber exatamente onde ela quer chegar e ter ciência de suas limitações orçamentárias.'' Ao levantar todos os gastos da família na ponta do lápis a pessoa vai saber exatamente quais as suas limitações. ''Vai saber quanto pode gastar com cada item, seja em alimentação, saúde ou em roupas.''
A planilha com todo o dinheiro que entra e todo o que sai deve ser atualizada e readaptada todo mês. ''Se a pessoa está pagando multa por atraso, mude a data de vencimento da conta ou do cartão. Está pagando dívidas com juros altos, vá conversar com o credor e renegociá-las em bases melhores.''
Sem promoções - O consultor ensina também que para ficar com as finanças em dia é preciso se mexer, batalhar. ''É preciso também fugir das promoções. Quanta gente se ilude com as tais liquidações imperdíveis e compra coisas que nem está precisando. Trocar geladeira, DVD, carro, etc, só mesmo em caso de extrema necessidade'', ensina.
Zanata alerta para o fato de a classe média estar trabalhando para pagar prestadores de serviços. ''Seguros, planos de saúde, telefones e assim por diante estão comprometendo importante fatia do orçamento familiar. Basta fazer as contas'', afirma. Ele aconselha as pessoas a pesquisarem bem antes de contratarem os serviços.
Além de buscar os menores preços, é preciso combater os desperdícios. ''Hoje, usa-se o celular indiscriminadamente. Quantas ligações desnecessárias são feitas'', argumenta. Isto é, para não perder dinheiro, as pessoas têm de ficar atentas a gastos desnecessários.
Segundo o consultor de negócios, uma família endividada pode ficar com o orçamento equilibrado em um ano. ''Se seguir à risca a busca pelo equilíbrio do orçamento, cortando gastos supérfluos, adequando as datas de pagamento das contas, renegociando dívidas e poupando, em 12 meses ela vai começar a colher os primeiros frutos e até fazer lazer planejado'', conclui. (AE)


