Sem opção, empresas diminuem exigências de candidatos
São Paulo - A escassez de mão-de-obra qualificada tem levado as empresas a serem menos exigentes na seleção dos candidatos às vagas disponíveis. É o caso da Weg, maior indústria de motores elétricos da América Latina, com sede em Jaraguá do Sul (SC) e cinco fábricas no País.
Com investimentos para dobrar a sua capacidade de produção, a empresa abriu este ano 1,5 mil vagas, das quais 80% para áreas operacionais. Para esse tipo de ocupação, a exigência era o ensino médio completo. Também se pedia que o candidato morasse na região há pelo menos seis meses. ''Tivemos de rever os critérios de seleção para preencher as vagas'', conta Rosana Spezia, chefe de Recursos Humanos da Weg.
A empresa passou a exigir apenas ensino fundamental completo e contratou até mesmo candidatos sem experiência. ''Preferimos qualificar essas pessoas internamente'', explica Rosana. A Weg investe 3% da sua folha de pagamento em educação, o que representa cerca de R$ 15 milhões por ano.
A situação é tão dramática que sobraram vagas no primeiro ciclo do Programa Nacional de Qualificação Profissional (PNQP), um dos projetos mais audaciosos de treinamento de mão-de-obra voltados para a indústria brasileira de petróleo e gás. Do total de 11 mil vagas oferecidas, apenas 6,6 mil foram preenchidas.
''Tivemos dificuldade de preencher vagas que requeriam experiência profissional'', diz José Renato Ferreira de Almeida, coordenador-executivo do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp). ''Para o próximo módulo, estamos estudando a possibilidade de substituir a exigência de experiência prévia por treinamentos nas empresas ao final do curso.''
A meta do Prominp é capacitar, até o fim do próximo ano, cerca de 110 mil profissionais para atender à demanda por mão-de-obra para esse mercado em franca expansão. Os cursos, nos níveis básico, médio, técnico e superior, todos gratuitos, são realizados por cerca de 80 instituições conveniadas distribuídas por todo o País. Os desempregados ganham bolsa-auxílio.
Em São Paulo, o Centro de Apoio ao Trabalho (CAT) mantido pela prefeitura da capital no bairro da Liberdade, região central da cidade, está com quase 900 vagas abertas há vários meses. O motivo é a falta de candidatos qualificados. Não faltam PhDs, mas gente para funções básicas como eletricista, ferramenteiro, fresador, mecânico de manutenção de máquinas, torneiro mecânico e até padeiro, jardineiro e açougueiro.
''As pessoas mais experientes já estão empregadas e os jovens ou não estão qualificados ou não se interessam por essas vagas'', diz Enoc Romano, gerente do CAT da Liberdade. ''Nesses casos, as empresas acabam flexibilizando as exigências.'' (M.R./AE)





