Sem obras de infra-estrutura, cai atividade da construção
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de junho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os estados da região Sul foram os menos prejudicados com a queda de quase 17,8% no valor das obras e serviços de construção civil verificados em todo o País em 2003, em relação ao ano anterior. Pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou a retração de 13,7% em relação ao ano anterior, nas obras de infra-estrutura como principal fator na queda de desempenho das empresas de construção civil.
O valor de obras contratadas por entidades públicas, que em 2002 representava 70,6% do total, cai para 62,0% em 2003. Nesse período, as obras viárias recuaram 23,4% e a construção de ruas, praças e estacionamentos apresentou uma queda de 52,4% nas obras. A instalação de redes de distribuição de água e esgoto, teve redução de 22,9%. Do valor total das construções, de R$ 73,8 bilhões em 2003, cerca de R$ 30,7 bilhões vieram de obras para o setor público.
Segundo informações das Contas Nacionais, os gastos da Administração Pública com a atividade de construção, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), recuaram de 16,1% para 12,3% entre os dois anos. Em 2003, o PIB da atividade de construção caiu 5,2%. Com a retração das obras de infra-estrutura, as atividades de edificações aumentaram sua participação nas obras de construção civil de 38,8% para 42,9%. No mesmo período, a participação de obras ou serviços de instalação subiu de 9,5% para 11,1%, impulsionada, principalmente, por instalações elétricas e de telecomunicações.
A Pesquisa Anual da Indústria da Construção Civil, de 2003, registrou cerca de 119 mil empresas de construção no País, que empregaram 1,4 milhão de pessoas. O gasto com pessoal foi superior a R$ 19,8 bilhões que resultou numa média salarial de quatro salários mínimos mensais.
A pesquisa revelou uma desconcentração de obras, com perda de participação da região Sudeste. Na região Sul, a participação nas obras de construção civil que era de 15% em 2002 subiu para 16% no ano seguinte. Em termos de valor das obras e serviços, as regiões Norte e Sul também aumentaram sua importância. A participação da região Sul avançou de 12,7% para 14,7%. Já a região Sudeste perdeu de 52,4% para 50,6% no conjunto de obras.
Segundo o IBGE, a pesquisa mostra que o setor da construção é bastante dependente do mercado interno e dos gastos públicos. Em 2003, as empresas tiveram perda de rentabilidade com a estabilidade na demanda por edificações e o recuo acentuado nas obras de infra-estrutura do mercado interno.


