Sem o dia 24, comércio de Londrina vende menos
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O Natal deste ano definitivamente não empolgou os consumidores. As vendas registradas pelo comércio de Londrina nesta data ficaram abaixo do movimento alcançado no mesmo período do ano passado e muito aquém das expectativas iniciais dos comerciantes, que projetavam um aumento de 10% a 15% nas vendas sobre 2005. A proibição do trabalho no dia 24 (véspera de Natal), as condições climáticas deste mês e a conjuntura econômica são os fatores que podem explicar o baixo desempenho do comércio.
Segundo estatísticas do Serviço de Proteção ao Crédito (SCPC) - medido pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e que avalia as compras feitas no crediário - até o dia 23 (último dia de comércio aberto) as vendas foram 5,68% menores se comparadas até o dia 24 de dezembro do ano passado (também último dia de vendas). Dados do Protecheque (vendas à vista) indicam um aumento de 3,03%. No entanto, se a base de comparação ficar somente até o dia 23, o desempenho do SCPC melhora um pouco, com vendas apenas 1,25% mais baixas. No Protecheque, o índice sobe para 6,8%.
''A discussão fica concentrada no dia 24 porque a diferença de índices alcançados no dia 23 e depois no dia 24 equivale a 230 mil consultas só no SCPC e no cheque, sem contar outras modalidades de pagamento como cartão de crédito e outros serviços que medem as vendas'', explicou Marcelo Cassa, vice-presidente da Acil. Conforme a entidade, normalmente, os três últimos dias que antecedem o Natal são os melhores em venda chegando a representar, pelo menos, 30% do movimento do mês. Além disso, o dia 24 sempre foi considerado o melhor ou o segundo melhor dia de vendas para muitos segmentos do comércio.
''Na verdade, o baixo desempenho se deve a um conjunto de fatores, como o não funcionamento das lojas no dia 24, os dias muito quentes ou chuvosos de dezembro, a conjunta econômica, o 13º salário pago na última hora e o excesso de shoppings populares. Mas o fator principal foi o dia 24'', avaliou Cassa. Segundo ele, a partir desta semana há forte tendência para a realização de promoções. ''Neste período do ano passado as lojas de eletroeletrônicos fizeram muitas liquidações, o que ajudou a alavancar as vendas e, provavelmente, deve acontecer isso novamente'', comentou.
Comerciantes - Na loja O Boticário, do Calçadão, as vendas foram pouco superiores às registradas no mesmo período do ano passado. De acordo com a gerente Sandra Regina da Silva Valente, durante todo o mês o movimento foi tranquilo, ficando mais fortes a partir da última semana que antecedeu o Natal. ''Trabalhamos com metas diárias que foram superadas. Mas o comércio ficar fechado no dia 24 é vergonhoso para Londrina, um absurdo ainda mais levando em conta que o comércio das cidades da região ficaram abertas e, em outros locais, as lojas ficaram abertas até a madrugada'', disse.
Na sua avaliação, o fraco desempenho das vendas é explicado por motivos como o costume brasileiro de deixar tudo para a última hora e o pagamento da segunda parcela do 13º salário no dia 20, quarta-feira, deixando apenas três dias para as compras. ''Para quê abrir no dia 17, que foi um domingo parado ao invés do dia 24? O pior é que as lideranças não se importam com as perdas do comércio e não aceitam sugestões. Tanto que não acreditávamos de fato que as lojas fechariam no dia 24, acreditávamos que na última hora essa posição seria modificada'', afirmou.
Já a loja Taco, localizada no Calçadão, não alcançou os resultados esperados de venda neste Natal. ''Dezembro foi ruim, assim como o ano todo foi ruim. O movimento começou a aumentar mesmo somente nesta última semana'', observou. A loja B1, da Rua João Cândido, chegou a alcançar os mesmos índices registrados no ano passado. ''Consideramos que o movimento foi excelente porque não trabalhamos no dia 24, o domingo (dia 17) foi ruim, fora os dias de chuva e a economia que está ruim'', avaliou a gerente Solange Picoloto.


