Sem motivo para festa, Mercosul completa 21 anos
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segunda-feira, 26 de março de 2012
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
O Mercosul completou a maioridade vestido de calça curta como um moleque. A declaração é do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo. Ontem, o bloco comercial formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai completou 21 anos, sem que houvesse qualquer comemoração pelos Estados-membros.
''Esse silêncio dá a entender que as ações do Mercosul foram tão pífias que ninguém se importa com elas'', afirma Campagnolo. Ele lamenta que, apesar de alguns avanços, a integração regional com derrubada de barreiras, como sonhado há duas décadas, simplesmente não aconteceu. ''Precisamos recuperar o tempo perdido'', ressalta.
Para o presidente da Fiep, o atual momento econonômico global, com crise na Europa e recuperação tímida dos Estados Unidos, deveria ter sido melhor aproveitado pelos quatro países. ''Temos mercados consumidores internos a serem explorados. Poderíamos ter mantido uma colaboração maior neste momento, em vez de tomarmos medidas protecionistas entre nós que só favorecem a Ásia'', salienta.
Campagnolo conta que a Fiep integra grupos de trabalhos do Mercosul, mas que o ritmo das atividades é lento e provoca desânimo. ''Os governos precisam promover agilidade do bloco para que ele cumpra seu papel'', declara.
O que é?
O Mercado Comum do Sul (Mercosul) foi criado em 26 de março de 1991, por meio do Tratado de Assunção. Em seu primeiro parágrafo, o documento define que o bloco implica: ''livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre os países, através, dentro outros, da deliminação dos direitos alfandegários e restrições não tarifárias à circulação de mercadorias e de qualquer outra medida de efeito equivalente''.
Desde 2006, a Venezuela aguarda aprovação para entrar no bloco. Brasil, Argentina e Uruguai já sancionaram o novo parcerio, mas o Congresso Nacional do Paraguai ainda não o fez.


