Sem medidas, alta do dólar perde fôlego
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quarta-feira, 05 de janeiro de 2011
Folhapress 
Brasília e São Paulo - Em seu primeiro pronunciamento como ministro no governo Dilma Rousseff, Guido Mantega (Fazenda) adotou a estratégia de usar o discurso como arma para tentar influenciar a cotação do dólar, que persiste no patamar de R$ 1,66 desde os últimos dias de 2010.
Convocou uma entrevista para dizer que são infinitas as medidas que podemos tomar do ponto de vista de intervenção direta no câmbio, mas não adotou nenhuma nova ação.
Não vou anunciar nenhuma medida cambial hoje [ontem], mas quero dizer que sempre temos um conjunto de medidas preparadas.
O dólar, que subiu até R$ 1,67 com a expectativa sobre as declarações do ministro (havia rumores sobre aumento do IOF), perdeu fôlego com a ausência de medidas. A moeda fechou cotada a R$ 1,664, em alta de 0,8%.
Em meia hora de conversa com os jornalistas, Mantega sinalizou que a cotação do dólar chegou a um piso para o governo, diante do prejuízo que uma valorização mais acentuada do real gera ao setor exportador, cujos ganhos são vinculados em parte à cotação da moeda dos EUA.
O objetivo do governo é tentar repetir em 2011, ao menos, o saldo comercial de US$ 21 bilhões de 2010.
Temos que trabalhar para que, em 2011, o saldo comercial fique acima do que o mercado está prevendo: US$ 8 bilhões.
Ao destacar medidas já divulgadas, como a criação de empresa para dar garantia de crédito às exportações, disse que também há na mesa desonerações tributárias que ainda não estão maduras para serem anunciadas e ameaçou administrar o ingresso de capital para movimentos especulativos.
Segundo ele, o governo está atento a isso e não permitirá que o dólar derreta. Não é o real que derrete, ele se aprecia. Não vamos deixar nossos amigos americanos ter o dólar derretendo.
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em leve alta de 0,03%, aos 69.984 pontos.


