Sem financiamento preço do milho desaba
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
Só a disponibilidade de recursos nos bancos à disposição do produtor pode conter uma queda acentuada no preço do milho. Isso porque o agricultor está preocupado agora em evitar que o preço do milho despenque no mercado, justificou o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná, Nelson Costa, ao comentar o pacote de medidas do governo para apoiar a comercialização do milho.
Segundo Costa, o pacote do governo só vai ter eficácia na medida que o agricultor for à agência do Banco do Brasil e encontrar os recursos para fazer o AGF (compra da produção) ou EGF (financiamento da produção). Portanto, esse volume de dinheiro que o governo está oferecendo, de R$ 463 milhões, só terá comprovada sua eficácia na prática do dia-a-dia, salientou.
As demais medidas do pacote, que prevêm a prorrogação do pagamento da parcela de custeio, aumento do limite de financiamento de custeio para criadores de aves, suínos e bovinos são opções que serão avaliadas para frente. Costa admite que essas medidas representam boa vontade do governo, mas insiste que a principal preocupação no momento é evitar uma derrocada nos preços do milho.
O Paraná está prestes a colher uma supersafra, em torno de 7,9 milhões de toneladas e o agricultor quer garantia de preço. Desde outubro, quando os preços do grão começaram a cair o produtor já perdeu R$ 5,00 em cada saca.
O produto que era comercializado entre R$ 12,50 e R$ 13,00 a saca em outubro, caiu para até R$ 7,50 a saca ontem, dependendo da região. O agricultor quer a garantia de pelo menos o preço mínimo do milho, que é R$ 7,28 a saca. Abaixo disso, certamente a produção do milho cai novamente na próxima safra, avisou.
Pacote No início da semana, o ministro interino Márcio Fortes de Almeida, anunciou que o ministro Pratini de Moraes anunciaria ainda esta semana uma série de medidas para enxugar o mercado. Seriam mecanismos como AGF, EGF, leilão de opções e Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) e ainda haveria a chance de negociar parcelas da securitização com milho. No total o governo enxugaria entre 2,0 e 2,5 milhões de toneladas.
Ontem, o secretário geral de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, confirmou que o governo vai intervir no mercado. As medidas devem ser conhecidas na próxima semana.


