Curitiba - Os produtores de soja do Paraná tiveram este ano prejuízos que beiram a R$ 1 bilhão em função da ineficiência da infra-estrutura de transporte da safra. A afirmação foi do presidente da Sociedade Rural dos Campos Gerais, Luiz Eduardo Pilatti Rosas, durante a abertura do 10º Encontro Nacional da Soja, que se encerra hoje em Ponta Grossa.
Entre os produtores, o momento é de ''basta'' salientou Rosas. Segundo ele, já não há mais crebilidade nos anúncios dos planos de recuperação da infra-estrutura de transporte da safra que todo ano são feitos tanto pelo governos federal como dos Estados e do município.
''Acontece que essa música a gente só ouve em período de safra quando produtores, cooperativas e indústrias mais precisam de infra-estrutura'', disse. Depois que passa o período de safra todos esquecem, ninguém fala mais no assunto e ele é retomado novamente no ano seguinte, sem que nenhuma obra tenha sido realmente implementada.
De acordo com Rosas, a produção de soja no Paraná e no Brasil dentro da porteira é a mais competitiva que existe no mundo. Ele calcula que há uma vantagem de 17% em relação aos produtores de outros países. Ocorre que quando a soja chega no porto ela só apresenta 2% de vantagem. ''O que aconteceu com a diferença, onde ficou?'' perguntou.
O faturamento com a comercialização de soja este ano foi de R$ 7,7 bilhões um dos mais altos dos últimos anos. Ocorre que cerca de R$ 1,1 bilhão ficou no meio do caminho e não foi para o setor produtivo, lamentou Rosas. O produtor criticou a ineficiência da malha ferroviária no Estado, a precariedade das rodovias federais, a ineficiência do porto que pela primeira vez impôs um prêmio negativo aos produtores. ''Até estradas vicinais estão em situação de extrema precariedade'', afirmou.
O consultor Alexandre Mendonça de Barros, da MB Consultoria, presente ao encontro disse que o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) tem dinheiro disponível para investir em infra-estrutura mas empresas e governo não apresentam projetos. ''Para um Produto Interno Bruto de R$ 1 trilhão que o PIB brasileiro, disponibilizar R$ 10 bilhões necessários para obras de infra-estrutura não será tão difícil assim'', destacou.
Outra preocupação discutida durante o Encontro da Soja foi a falta de armazéns. Este ano o País produziu 130 milhões de toneladas e a capacidade de armazenagem é de 90 milhões de toneladas.''A produção que não pode ser guardada nos armazéns ficou parada nos caminhões na fila do porto à espera de ser exportada'', afirmou.
Segundo Rosa, a tese do superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião, que indústrias e cooperativas utilizam os caminhões como silos para guardar a safra é uma ''meia verdade''.''Não fosse a ineficiência do porto, a carga não ficaria tanto tempo dentro de um caminhão'', afirmou.

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