Curitiba - Mais de 100 mil pequenos agricultores no Paraná podem ficar sem o acompanhamento da assistência técnica se a Emater mantiver a decisão de suspender a execução e o acompanhamento de projetos vinculados ao Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf). Para a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná, a situação pode prejudicar o resultado da safra 2002-2003 e provocar prejuízos aos agricultores menores - avaliou o diretor da entidade, Jairo Correa de Almeida.
Para o diretor da Fetaep, o Pronaf vem sendo bem sucedido no Paraná graças ao apoio da assistência técnica pública e gratuita. ''A falta de acompanhamento e monitoramento das lavouras dos pequenos agricultores pode ser fatal para que eles continuem com bons resultados'', explicou. No ano passado, foram atendidos no Paraná 110 mil contratos no Pronaf, que somam R$ 210 milhões entre financiamentos para custeio e investimentos para o pequeno agricultor.
Quando o programa teve início, em 1996, foram atendidos 35 mil produtores, com financiamentos no valor de R$ 90 milhões. ''O que vem dando sustentação ao crescimento do programa, com margens mínimas de inadimplência, é justamente o trabalho da assistência técnica'', disse Rubens Niederheitmann, presidente da Emater-PR. ''A Emater garante, com o trabalho dos técnicos, que o banco não tenha risco ao emprestar o dinheiro para o pequeno agricultor e não recebe nada por isso'', reagiu Niederheitmann.
A Emater está reivindicando o reembolso de R$ 30,00 por contrato e mais R$ 7,50 para a emissão da carta de aptidão, que equivale a uma garantia que o produtor tem condições de saldar o financiamento no período fixado. Segundo Niederheitmann, o custo para execução do projetos e do acompanhamento técnico é de R$ 70,00, mas ele destacou que os R$ 40,00 restantes ficariam por conta da contrapartida do governo estadual.
Para os pequenos agricultores associados a cooperativas, a situação não deve mudar muito porque elas assumem essa tarefa. Na Cooperativa Agropecuária Consolata (Copacol), os produtores não deverão perder esses recursos por falta de projetos e assistência técnica, garantiu a supervisora financeira, Celia Hoffmann. A Copacol informou que vai cobrar 1% sobre o valor financiado.
Para o diretor da Fetaep, essa situação caracteriza um processo de exclusão, já que entre 20% a 30% dos agricultores atendidos pelo Pronaf não são vinculados a nenhuma cooperativa, e elas só vão atender seus associados.

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