Sem El Niño, clima não ajudará muito
O El Niño, fênomeno climático que provoca aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, está indo embora. Formado entre agosto e setembro do ano passado, o El Niño foi o responsável pelo ''bom tempo'' para a agricultura nos últimos meses, favorecendo a ocorrência de chuvas mais abundantes, porém regulares, além de temperaturas estáveis, sem extremos, beneficiando as lavouras cultivadas no Sul do País. De agora em diante, o cenário climático estará menos favorável.
As informações são do meteorologista Luiz Renato Lazinski, do Instituto Nacional de Meteorologista (InMet), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que também esteve falando para técnicos no evento realizado ontem na Embrapa Soja em Londrina.
A partir de abril, com a extinção do El Niño, segundo Lazinski, o agricultor pode esperar períodos de veranico; falta de chuvas regulares e fortes oscilações na temperatura, intercalando, de um momento para o outro, ondas de calor intensas com dias muito frios.
Com isso, aumentam os riscos para quem vai fazer os cultivos de inverno, especialmente o milho safrinha. O trigo também é suscetível a algumas mudanças climáticas. Nos últimos dois anos houve frustração da safra devido a geadas tardias, no mês de setembro, o que também pode acontecer este ano.
A previsão é de um outono sem suas características normais, com temperaturas amenas. ''O clima não será tão bom para a agricultura daqui para frente'', avisa Lazinski.
A meteorologia prevê, já em abril, a possibilidade de geadas mais fracas (de baixadas) no Sul e Sudeste do Paraná, o que pode ser prejudicial para trigo e feijão. Já no Norte e Oeste do Estado, também a partir do mês que vem, a previsão é de períodos com forte queda de temperatura. ''No caso da safrinha a queda de temperatura, dependendo da fase, não chega a ser prejudicial, mas sim a irregularidade de chuvas daqui para frente,'' afirma o meteorologista.
Segundo ele, um veranico nas fases de florescimento ou enchimento de grãos pode causar grandes perdas na lavoura: ''Por isso, os técnicos têm recomendado ao agricultor que faça um escalonamento de plantios para fugir de períodos de estiagem ou de baixas temperaturas.''
A falta de chuvas também pode ser prejudicial para o trigo que ainda corre o risco, junto com a cevada, de pegar uma geada tardia, a exemplo do que aconteceu no ano passado. Nos últimos dois anos a geada, em setembro, castigou essas duas lavouras e houve grande frustração.





