Sem disputa, Ferroeste deve ser vendida hoje pelo preço mínimo
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quarta-feira, 04 de dezembro de 1996
Maria Teresa Martins 
Só um consórcio deve participar hoje do leilão de privatização da Ferroeste, que acontece na Bolsa de Valores do Paraná, às 15 horas, no 5º andar da rua Marechal Deodoro, 344, em Curitiba. Sem disputa, a ferrovia deverá ser privatizada pelo preço mínimo estipulado no edital, de R$ 25,661 milhões.
O consórcio é formado por três empresas: a Associação dos Participantes FAO e Empreendimentos e Participações Ltda, Pound S/A e Gemon (Geral de Engenharia e Montagens S/A). Um grupo paranaense que entrou com pedido de pré-qualificação junto à Comissão de Liquidação e Custódia da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro foi desclassificado.
O grupo paranaense seria o consórcio C. R. Almeida/J. Malucelli, que teria saído da disputa por documentação incompleta. No total, 24 empresas compraram o edital na Ferroeste. Entre as interessadas estavam grupos argentinos, como o Pescarmona e o Consur, o alemão Krupp, o indiano Ircon International e o sul-africano Comazar, além de empreiteiras e bancos nacionais.
O edital limita a participação de cada empresa no consórcio a no máximo 33,3%. O grupo vencedor pagará 5% do valor arrecadado, no prazo de sete dias após a realização do leilão. O valor desta primeira parcela é de R$ 1,2 milhão. Haverá ainda um pagamento de R$ 23 mil por bens de pequeno valor. O contrato deverá ser assinado em 10 de fevereiro, quando a operação passa ao controle privado.
O contrato prevê que o saldo será quitado em 108 parcelas trimestrais, com três anos de carência. Como a ferrovia deverá ser vendida pelo preço mínimo, o valor médio destas parcelas, que terão correção monetária pela variação do IGP-DI mais juros de 12% ao ano, deve ser de R$ 1,015 milhão.
Pelo contrato, o grupo vencedor terá a garantia de utilização dos trilhos da Rede entre Guarapuava e Porto de Paranaguá. A garantia foi dada porum contrato de tráfego-mútuo por de 30 anos, mesmo período em que a concessão será oferecida ao consórcio vencedor.
O governo do Estado detém 96% das ações da Ferroeste e há ainda 57 pequenos acionistas, entre eles RFFSA, Frigrobrás, Cotriguaçu, Cooperativa Agrária e Paraná Equipamentos. O controle acionário não será alterado com o leilão, já que a privatização irá repassar a concessão de um serviço público por 30 anos do uso da ferrovia.


