Enquanto espera o tão demorado anúncio de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo do presidente Fernando de la Rúa se apressa em dar sinais aos mercados e aos organismos financeiros internacionais de que está implementando o prometido plano de déficit fiscal 0%.
Para isso, ontem, a ministra do Trabalho, Patricia Bullrich, anunciou uma profunda reforma no Sistema de Aposentadorias (ANSES). Segundo Bullrich, ela implicará em um corte de US$ 657 milhões anuais.
As reformas incluem o desaparecimento de 34 das 84 gerências do sistema, além da redução salarial entre 13% e 30% de seus funcionários. Os salários mais elevados na ANSES não poderão ultrapassar US$ 2 mil.
No entanto, a demora nas negociações está causando um rápido aumento do ceticismo na Argentina e sobre as vantagens que um acordo com o FMI teriam para o país. ''Não vai mudar muito a atual situação'', disse o economista Raúl Ochoa. Segundo ele, a quantia que o Fundo acabará emprestando não será grande, e além disso, a desconfiança ''já está instalada''.
Ontem, na falta de um anúncio concreto, e no meio de rumores que circulavam entre Washington e Buenos Aires de que o acordo com o FMI não seria realizado, a Bolsa portenha fechou em queda de 3,47%. A taxa de risco do país subiu de 1.555 pontos para 1.665 pontos. Desta forma, a taxa aproximou-se perigosamente do recorde deste ano, que foi de 1.688 pontos (no dia 1º de agosto).
''Não cantemos vitória, por enquanto não existe nada concreto sobre o acordo'', alerta o economista José Luis Espert. Ele sustenta que se o acordo com o FMI não sair, vai ocorrer uma corrida aos bancos. Além disso, Espert afirma que a Argentina ''está no caminho de uma suspensão de pagamentos e de uma desvalorização''. O economista afirma que a atual situação é fruto da falta de negociação sobre uma reprogramação da dívida com o FMI, e que por isso, ''podemos terminar em uma situação descontrolada''.
O analista político Héctor Timmermann sustenta que o governo não está pensando no dia seguinte ao eventual anúncio de acordo, já que não está sendo feita nenhuma articulação política para conseguir consenso para o acordo com o FMI.
Diversos analistas sustentam que o governo De la Rúa sofrerá uma derrota de grande magnitude em outubro. Isso obrigaria o governo a tentar um governo de união nacional, com a inclusão de integrantes de outros partidos no gabinete. ''Não podemos almoçar o jantar. Temos que esperar os resultados das eleições'', disse Gioja.

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