Sem desconto para pagamento em dinheiro
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terça-feira, 01 de maio de 2018
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

Pague em dinheiro e ganhe um brinde. Essa é a proposta de um restaurante de Londrina para incentivar os clientes a pagarem a conta em espécie. A iniciativa está amparada pela lei, aprovada em junho do ano passado, que autoriza a diferenciação de preços de produtos e serviços de acordo com a forma e o instrumento de pagamento.
Em vigor há quase um ano, a nova legislação é pouco utilizada pelo varejo em Londrina. A prática está mais disseminada nos postos de combustíveis. "O consumidor ainda está se acostumando com a lei. Há quem nos procure para tirar dúvidas e alguns até para fazer reclamações, então passamos as orientações", explica Gustavo Richa, coordenador do Procon de Londrina.
A legislação determina que o comércio coloque aviso em local visível ao consumidor sobre a diferenciação de preço e as condições de pagamento em cada modalidade. "Nas fiscalizações do Procon estamos orientando os comerciantes sobre o aviso, mas o consumidor deve ficar atento", recomenda.
A intenção da nova lei é possibilitar que os estabelecimentos repassem os custos com a operação dos cartões de crédito e de débito, mas, de acordo com Richa, o texto é muito vago e não deixa claro quais os percentuais de desconto ou acréscimo podem ser aplicados em cada modalidade. "É uma legislação um pouco confusa, por isso o consumidor precisar ficar atento aos avisos e procurar o Procon caso se sinta lesado", alerta.
A FOLHA percorreu o comércio do centro de Londrina e não encontrou avisos nos estabelecimentos. O desconto para quem paga em dinheiro tem sido pouco aplicado. O gerente de uma loja de bijuteria, Israel Isaac, afirma que o desconto depende do valor da compra e do tipo de mercadoria, mas a loja não faz diferenciação de preço entre as formas de pagamento. "O preço é o mesmo para pagamento em dinheiro e cartão. Quando o cliente pede um desconto, avaliamos conforme o valor da compra", explica.
A lojista Bruna Kamona comenta que são poucos os clientes que pagam em dinheiro. O cartão ainda é o preferido. Na percepção dela, as pessoas costumam pagar em espécie as compras de início de mês. "Não faço diferenciação de preço, mas percebo que elas pagam mais em dinheiro quando sai o salário", afirma.
Às vezes, mesmo com promoções para quem paga em moeda corrente, o consumidor prefere o débito. A caixa Ana Paula Pereira afirma que é normal o cliente ter dinheiro, mas, mesmo assim, pagar com o cartão. É o caso da farmacêutica Aline Donato, 29, que só paga em dinheiro quando o desconto é muito grande, senão prefere utilizar o débito ou o crédito para ganhar milhas. Mas ela afirma que não tem visto lojas oferecendo vantagens. "É mais comum nas lojas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos", comenta.
José Piccinini, dono de restaurante, dá um desconto de 5% no valor da conta no caso de pagamento em dinheiro. A intenção é ter dinheiro para movimentar em espécie e evitar o custo do cartão. Quando a despesa é quitada no débito ou no crédito, o estabelecimento paga uma porcentagem para a bandeira.
O percentual varia entre 2% e 3%, dependendo do tipo de operação. "É um absurdo pagar 2% para o banco já que o dinheiro é debitado em segundos. E ainda temos o custo do aluguel das máquinas", reclama Piccinini.
Apesar do desconto, Piccinini diz que ainda são poucos os clientes que trocam o cartão pelo dinheiro. "O brasileiro gosta de jogar dinheiro fora. Esses 5% representam quase um ano de rendimento na poupança. Se você tem dinheiro na poupança e paga no cartão você não faz economia nenhuma", avalia.


