Sem descartar o Tesouro
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

Os ganhos no Tesouro Direto foram um bom negócio em 2017 por fechar em 12 meses com rentabilidade bruta de até 20%, segundo consulta feita ao site do Tesouro Nacional na última terça-feira, dia 9. No entanto, o recuo de 6,75 pontos percentuais da Selic deixou o investidor com dúvidas se vale a pena continuar a investir nos títulos públicos, já que há outras aplicações de maior risco que apresentam tendência de ganhos maiores para 2018.
Os analistas consideram que o Tesouro continua atrativo, mas que tudo depende do objetivo para a aplicação. Em médio e longo prazos, como na compra de uma casa ou para uma aposentadoria, trata-se de um porto seguro por garantir a atualização e ganhos reais para o capital. E, mesmo para prazos mais curtos, a modalidade é atrativa para os perfis mais conservadores, de quem não têm estômago para encarar variações abruptas.
O funcionamento simples e a segurança de saber que o rendimento será pago pelo governo federal garantiram novos adeptos ao Tesouro Direto nos últimos anos. Conforme o último relatório mensal disponibilizado pelo Tesouro Nacional, o número total de investidores cadastrados em novembro do ano passado era de 1,779 milhão, 65% a mais do que no mesmo mês de 2016.
Fator Selic
Para este ano, a expectativa é de que a Selic termine em 6,75%, de acordo com o último Boletim Focus, do Banco Central. A variação será menor e os índices garantidos já não são os de outros tempos, o que não quer dizer que a modalidade não seja recomendada.
Dificilmente ocorrerá o mesmo que em 2017. A Selic caiu de 13,75% em janeiro para 7,00% em dezembro, o que levou a ganhos de até 20% no período, acima do determinado na data compra. O motivo é que, para resgate antes do vencimento, o valor base do papel varia conforme condições de mercado. No caso de prefixados, o valor do título tem de chegar a R$ 1 mil na data do vencimento, para garantir os ganhos definidos na compra. Quando a Selic cai, o preço do papel de referência sobe para compensar a diferença, o que resultou no belo rendimento bruto de 20% para o Tesouro Prefixado 2023, por exemplo.
"O mais afetado pela queda da taxa de juros é o pós-fixado na Selic (LFT), mas esse já era o que menos indicávamos aos investidores porque tem ganhos similares em bancos", diz o consultor financeiro Raphael Cordeiro, da Inva Capital. Ele afirma que os pré-fixados (LTN) e o IPCA+ (NTN-B) sempre tiveram preferência e assim deve continuar a ser.
O LTN garante ganhos de até 10% ao ano, índice que garante ganhos reais por ser superior à expectativa de inflação, de 3,95% para 2018, segundo o Boletim Focus. Já o NTN-B oferece uma base em torno de 5%, mais a soma da variação de preços do ano. "Em médio prazo, o IPCA tende a ser mais atrativo e, para o vencimento longo, é preciso acreditar que a inflação seguirá alta", conta.
Ainda, Cordeiro lembra que não se faz investimentos de olho no resultado obtido em um ano, mas em tendências. "Não é que o que aconteceu no ano passado vai se repetir no futuro e, se a pessoa quer fazer um investimento de 20 anos, tem de pensar no que deve ocorrer nos próximos 20 anos e não em 2017."
Em caso de investimento para aposentadoria, o consultor recomenda o NTN-B 2050, por exemplo. No entanto, lembra que é preciso também um pouco de calma para variações ao longo do tempo, já que os ganhos definidos na compra estão garantidos para o vencimento. "Em novembro, esse título caiu 2% e depois recuperou 1% no mês seguinte", cita Cordeiro. "Mas os títulos do Tesouro servem para reserva financeira para emergências, porque o Tesouro Selic rende mais que a poupança e tem liquidez da mesma maneira", completa.

Rendimento rápido
Para o consultor financeiro Thiago Terzoni, da Terzoni Consultoria, quem busca bons rendimentos em curto prazo tem opções melhores do que o Tesouro. "São fundos de investimento imobiliário, fundos de ações, de investimento privado, mas é claro que é para quem aceita arriscar um pouco mais", afirma.
Terzoni considera que é preciso definir o grau de dependência em relação ao capital, antes de escolher a modalidade de aplicação. "O Tesouro Direto é simples, fácil de se aderir e acessível a todos, uma boa alternativa para quem não tem habilidade ou quer entrar no mercado", explica.
Renda alinhada à meta
Aliar o tipo de investimento ao objetivo de curto, médio ou longo prazo é o que orienta a planejadora financeira Juliana Sitta Queiroz, certificada pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros). Ela afirma que o Tesouro Direto continua atrativo e sugere aos clientes uma divisão na carteira de investimentos. "Se for para um longo período, por exemplo, o título público pode ser atrelado à inflação, o IPCA+, porque a pessoa não perde poder de compra e ainda conta com um ganho real em juros", diz.
Ela afirma que a soma da inflação prevista com os juros do Tesouro Direto supera o índice do CDI atual. "Se formos observar, a Selic caiu, mas a inflação também e o ganho real hoje é até maior do que no passado, então o Tesouro é melhor porque tem liquidez, baixo risco e rendimento", afirma. Mesmo quando comparado à Poupança, que não tem desconto de Imposto de Renda, Queiroz cita que os ganhos são maiores. "O Tesouro ainda é uma boa opção para composição de carteira e para fazer a reserva de emergência, que precisa ser equivalente a seis meses dos gastos pessoais", completa.
O consultor financeiro Raphael Cordeiro, da Inva Capital, sugere colocar 50% do capital em renda fixa, por segurança, e o restante em fundos imobiliários, de ações ou multimercados. "Esses investimentos devem render mais do que a taxa de juros, mas em qual momento é difícil prever, o que explica o maior risco", diz.


