No dia 18 de janeiro de 1999, Rubens Lascoski, 22 anos, saiu cedo de sua casa, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba, em direção à indústria de compensados Mirim, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana).
Lascoski trabalhava em uma freza, equipamento com aproximadamente 1 tonelada e usado largamente pelas indústrias de madeira.
Após retornar do almoço, às 13h15, uma trepidação da máquina decepou três dedos inteiros e a metade dos outros dois da mão direita do operário. Desde então, Lascoski não conseguiu mais emprego e tenta desempenhar atividades com a mão esquerda. Ele conta com o acompanhamento de um terapeuta ocupacional que decidiu ajudá-lo, mas não tem tido sucesso nas tentativas de recolocação no mercado de trabalho.
Lascoski trabalhava na empresa havia cinco anos e oito meses. ‘‘Chegava ao trabalho às 7h30 e saía apenas às 20 horas’’, afirma ele, que teve seu primeiro emprego cedo, aos 14 anos.
O acidente mudou sua vida. Agora Lascoski tenta encontrar um lugar no mercado de trabalho. ‘‘Não tenho estudo e pretendia continuar na empresa para poder aprender mais coisas e achar um emprego melhor’’, diz. Ele conta que estudou até o primeiro grau e recebe mensalmente R$ 395, referente ao auxílio-doença concedido pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
‘‘Às vezes me sinto incomodado por não conseguir fazer tudo o que desejo. Seja na hora de pegar o ônibus ou pelo fato de chamar a atenção das pessoas.’’ Logo após o acidente, Lascoski, que mora com mais nove parentes em duas casas no mesmo terreno, precisou de apoio psicológico para prosseguir com a nova realidade. (J.C.L.)

mockup