Sem crediário, vendas despencam no PR
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Carmem Murara 
Com a desvalorização do real na metade do mês passado, a quase totalidade das financeiras que operaram no Estado suspendeu o crédito para os consumidores que fazem compras no crediário. O resultado da falta de operações foi uma queda direta das vendas no comércio varejista, em toda a Região Metropolitana de Curitiba. O mês de janeiro fechou com uma redução de 40% nas vendas sobre dezembro. A queda mais acentuada foi registrada na segunda semana de janeiro, quando o dólar já valia 30% a mais do que o real.
Os dados sobre o desempenho nas vendas no comércio foram divulgados ontem pela Associação Comercial do Paraná, que todos os meses faz um balanço das consultas feitas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SCPC) e ao Sistema de Videocheque. O SCPC é um termômetro para registrar as vendas a prazo, enquanto o Videocheque marca as vendas à vista ou com cheques pré-datados. Os dois programas indicam se o consumidor está ou não com o nome sujo na praça.
Para avaliar o comportamento do comércio frente à desvalorização do real, a pesquisa da Associação Comercial foi feita em três etapas. O primeiro período, entre 1º e 13 de janeiro, mostrou um aumento de 12,5% nas compras no crediário, em relação ao ano passado. Entre 1º e 18 o aumento foi de 10% e entre 1º e 23 a variação foi de 3,9%, o que comprova uma queda no consumo à medida que o Real se desvalorizava.
O vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Élcio Ribeiro, disse que a mudança cambial representou um banho de água fria nas expectativas de vendas dos consumidores. Estávamos com uma boa venda até a metade de janeiro e, de repente, tudo se inverteu, afirmou Ribeiro. Ele disse que as financeiras começaram a retomar a liberação do crédito para os lojistas. Hoje, apenas 10% das lojas possuem seu próprio crediário, sendo que o restante depende das financeiras.
A queda nas vendas não se traduz, por enquanto, em redução no índice de inadimplência, que continua alto. Em toda a Região Metropolitana de Curitiba, 43,5% da população economicamente ativa está com as prestações atrasadas por mais de 30 dias no comércio. A inadimplência aumentou 1,8% sobre o mês anterior e 16,8% em relação a janeiro de 1998.


