Sem convenção, comércio abre hoje à noite
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quarta-feira, 01 de dezembro de 2004
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Em meio à polêmica trabalhista, o comércio da área central de Londrina abre a partir de hoje em horário ampliado - até às 22 horas - informou ontem o diretor do Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval), Valmir Rafael dos Santos. Não houve acordo entre os representantes do Sindicato dos Empregados no Comércio e do Sincoval para efetivação de uma convenção coletiva específica para o mês de dezembro que garanta os direitos trabalhistas. Independente da convenção, o comércio abre seguindo as normas do Código de Posturas do Município e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que não permite aos empregados fazerem mais do que duas horas extras por dia.
O diretor do Sincoval, Valmir Rafael dos Santos, informou que a abertura à noite se estenderá até dia 30 de dezembro e no dia 31 até às 18 horas. No entanto, ficou estabelecido que as lojas não abrirão as portas no dia 10, aniversário da Cidade, e no domingo, dia 19, conforme havia proposto o Sindicato dos Empregados. Os empregados haviam proposto também trabalhar a partir do dia 4 de dezembro, de segunda à sexta-feira das 8 às 22 horas; aos sábados, das 9 às 18 horas e no dia 24, vésperas de Natal, das 8 às 18 horas.
O impasse entre as duas entidades se deu em razão da compensação dos dias que seriam trabalhados (10 e 19). Como compensação por esses dois dias, o sindicato dos empregados propunha a dispensa dos empregados no dia 3 de janeiro (segunda-feira), no dia 7 de fevereiro (segunda-feira de Carnaval) e no período da manhã na quarta-feira de Cinzas, abrindo somente após às 12 horas. O Sindicato patronal não aceitou e propôs que a compensação do domingo fosse acordada para o dia 28 de março, primeira segunda-feira após a Páscoa. Desta vez, quem não aceitou foi o sindicato dos empregados.
''Cada empresa deverá fazer a sua tabela de revezamento porque o funcionário não poderá exceder as duas horas extras'', afirmou Valmir Santos, acrescentando que sem a convenção coletiva de dezembro, os funcionários não têm garantia dos seus direitos trabalhistas. ''O Sincoval não pode garantir isso'', comentou Santos, deixando irritado o diretor do Sindicato dos empregados, Manoel Teodoro da Silva.
''Se ele está dizendo que os empregados não têm garantia, só nos resta contar com o apoio do Ministério do Trabalho para fiscalizar a jornada'', declarou Teodoro, que acredita que os lojistas farão manobras para não contratar mais funcionários temporários. ''Eles vão querer explorar os empregados nesse período'', afirmou. Teodoro salientou ainda que a abertura ampliada até o final de dezembro é ''burrice''. ''Todo mundo sabe que na semana após o Natal as vendas são bem mais fracas e não há necessidade de ficar até as 22 horas.
''Não está havendo boa vontade do sindicato patronal em resolver o impasse. Ele está criando uma polêmica que só vai prejudicar o trabalhador. Não aceitamos a compensação no dia 28 de março porque está muito longe. Há 10 anos, esse dia de trabalho era compensado nos dias de carnaval'', enfatizou Teodoro. Segundo ele, a assessoria jurídica do sindicato deverá tomar providências, denunciando hoje no Ministério Público de Curitiba as arbitrariedades do Sincoval em relação à jornada de trabalho de dezembro.


