Sem contrapartida do governo impostos pesam
Os impostos no Brasil são elevados. Esta afirmativa é sempre repetida a exaustão por todos os que vêem seu dinheiro saindo do bolso e indo direto para o cofre do governo. Os números assustam. Segundo o site www.impostômetro.org.br , mantido pela Associação Comercial de São Paulo, até ontem a tarde a população brasileira já havia enviado ao governo desde o dia 1 de janeiro R$ 238,5 bilhões em impostos. É um número estratosférico. Os paranaenses depositaram neste mesmo cofre R$ 3,5 bilhões e a população de Londrina, no mesmo período pagou R$ 162 milhões em impostos. Para qualquer número que se olhe, o valor é sempre muito alto.
Em telefonia, a carga tributária no Brasil chega a 44% no bolso do consumidor. O Brasil é o terceiro país com o maior número de impostos em serviços de telefonia móvel no mundo. Aqui, a incidência de impostos como ICMS, PIS, FUST, Funttel e Cofins chega a representar perto de 30% da receita das operadoras de telefonia. É muito, ainda mais se comparado aos 5% cobrados no Japão.
Na média, o País está entre os que mais arrecadam impostos no mundo. Poucas são as nações que apertam mais o contribuinte do que o Brasil. No Japão a carga tributária fica em torno de 26,2%; na Austrália, 30%; nos Estados Unidos, 25,7%. Nos países que têm economias próximas ao Brasil, o peso do fisco fica na média em 27,4%.
Porém, a diferença está na contrapartida. É aí que a coisa realmente se complica par os brasileiros. ''O Estado arrecada muito e redistribui mal'', alerta o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro. Segundo ele há um desequilíbrio brutal entre o que se paga de imposto e o que o governo dá em troca.
Todos sofrem com isto. As classes menos abastadas não encontram nas escolas um ensino de qualidade que pode mudar a vida de seus filhos. Faltam livros, professores, qualidade, salários. Quando se fala em saúde o problema também é muito grave. Os hospitais estão abarrotados com dificuldades de atender até casos de emergência. Consultas com especialistas demoram meses e meses para acontecerem.
A classe média, além da contribuição com os impostos, se vê obrigada a pagar planos de saúde, escolas particulares, colocar cercas elétricas para se proteger, alarmes, seguranças. ''Não é catastrofismo, muito pelo contrário. Quando vemos os políticos falarem que fizeram isto ou aquilo na TV é constrangedor, pois você desliga o aparelho e volta a realidade'', afirma Ribeiro. Ele acrescenta que, embora a população esteja temerosa com a falta de segurança os impostos continuam sendo arrecadados.
''A sociedade contribui com sua parte até bem mais do que poderia, porém não vê o retorno disso em benefícios, como deveria acontecer e como acontece em países mais sérios'', comenta Ribeiro. Segundo ele, é por isto que apenas afirmar que no Brasil os impostos são elevados é relativo. ''Se houvesse a contrapartida do governo, oferecendo educação e saúde de qualidade, infra-estrutura para as empresas poderem trabalhar e produzir, não haveria tanta gritaria. Mas não é isso que acontece. Porém, temos que continuar cobrando para que esta situação mude'', esclarece Ribeiro.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e
Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr.





