Sem consenso entre Brasil e Argentina
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terça-feira, 24 de maio de 2011
Marina Guimaraes 
Buenos Aires - Após dois dias de negociações, representantes dos governos da Argentina e do Brasil não avançaram em medidas concretas para a flexibilização de barreiras mútuas que restringem o comércio bilateral entre os dois países. ''Não há avanços práticos de curto prazo'' para os produtos brasileiros barrados pela Argentina, reconheceu o secretário Executivo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alessandro Teixeira, durante entrevista aos correspondentes brasileiros em Buenos Aires.
Teixeira informou que os dois países vão realizar uma nova reunião bilateral dentro dos próximos 15 dias, em data ainda a ser marcada, conforme a disponibilidade da agenda dele e do secretário de Indústria argentino, Eduardo Bianchi.
Usando um tom de conciliação e sempre tratando de minimizar a crise no comércio bilateral, Teixeira afirmou que os sócios não se sentaram durante os últimos dois dias para chegar a um acordo específico sobre o fluxo comercial. ''As reuniões foram em um clima muito bom e não tratamos só de problemas, mas de monitoramento do comércio (...) Não viemos aqui com uma proposta fechada, nem com a expectativa de receber uma proposta da Argentina para fechar um acordo'', disse Teixeira. ''Essa primeira reunião foi para que colocássemos dados na mesa, porque nós temos números que, às vezes, não são os mesmos do governo argentino'', reconheceu.
Cuidadoso com as palavras, o secretário evitou expressões que pudessem evidenciar o fracasso das negociações e a existência de fortes divergências entre os dois países sobre o volume e segmentos da indústria brasileira que estão sendo prejudicados pelas barreiras argentinas. ''Não é que existam divergências, mas as estatísticas, às vezes, não são apuradas de maneira iguais'', justificou. Fonte brasileira que acompanhou as discussões disse à Agência Estado que ''a negociação não está fácil não''. A fonte explicou que a Argentina não quer ceder na ampliação da oferta brasileira em seu mercado de máquinas e tratores agrícolas, pneus, calçados, têxteis, eletrodomésticos, alimentos e demais produtos nacionais que estão impedidos de entrar no mercado do sócio.
No entanto, a Argentina insiste em que o Brasil libere com celeridade as importações de automóveis. ''Eles esperavam, a rigor, que o Brasil suspendesse a aplicação de licenças não automáticas para os automóveis, mas nós deixamos claro que isso não é possível porque as licenças são para controlar o fluxo de importação também de outros países'', disse a fonte. ''O que nos comprometemos com a Argentina é dar maior rapidez à liberação das importações de automóveis na medida que houver proporcionalidade'', completou a fonte.
''No que diz respeito ao licenciamento não automático de importações, as partes avançaram nas negociações visando a liberar gradualmente as licenças pendentes'', disseram as notas divulgadas à imprensa pelos dois ministérios. Os comunicados também afirmaram que ''os dois governos fortalecerão ações com vistas a promover o desenvolvimento produtivo integrado e definirão uma agenda de trabalho para temas estruturais, com especial atenção a setores sensíveis estratégicos para economias dos dois países. Bianchi e Teixeira concordaram ainda em realizar reuniões mensais de monitoramento do comércio bilateral.


