Sem argentinos, turismo de Foz perde 40% do movimento
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sábado, 05 de janeiro de 2002
Patrícia Iunovich 
Foz do IguaçuA crise argentina está provocando retração de 40% no turismo de Foz do Iguaçu. O cálculo é do presidente do Iguassu Convention & Visitors Bureau, Marcelo Valente. Várias reservas de pacotes de viagens que haviam sido feitas para a primeira quinzena de janeiro foram canceladas. Os hotéis especializados em atender argentinos são os mais prejudicados. Os empresários do setor esperam inverter esse quadro a curto prazo. A expectativa é de que os turistas estrangeiros, sejam substituídos aos poucos ainda nessa temporada por visitantes brasileiros.
Foz do Iguaçu tem um dos maiores parques hoteleiros do País com 140 hotéis, dos quais 38 possuem classificação e 103 sem classificação. Pelo menos 20% são voltados para os argentinos. Os dados são da Secretaria Municipal de Turismo. A cidade recebe em média um milhão de visitantes todos os anos. Os argentinos representam 35% do universo total de turistas estrangeiros que visitam Foz. Em todo o ano passado, cerca de 150 mil argentinos escolheram a Terra das Cataratas para passar as férias. Só na temporada de férias entre janeiro e fevereiro foram 60 mil.
Normalmente, nesta época do ano, Foz do Iguaçu se transforma na principal rota de entrada dos turistas vizinhos em direção às praias do litoral catarinense.
Por causa da instabilidade política e econômica da Argentina, muitos argentinos decidiram cancelar as férias no exterior. Os reflexos dessa crise vem atingindo a cidade desde o mês passado. Em dezembro, 62 mil turistas visitaram o arque Nacional do Iguaçu contra 80 mil no mesmo período anterior. A queda chega a 25%.
O fim da paridade do peso com o dólar, e por consequencia ao real, anunciado pelo novo presidente Eduardo Duhald, também pode afastar os turistas vizinhos. Com o câmbio indexado ao dólar, fazer turismo no Brasil era muito atrativo para o argentino, por causa da acentuada diferença cambial.
Para Marcelo Valente, o turismo de Foz do Iguaçu deve se recuperar em breve com a chegada de última hora dos turistas brasileiros, especialmente os paulistas, que representam 50% do movimento e costumam marcar as reservas de viagem em cima da hora.


