Se não conseguir recursos do FMI e do Tesouro dos EUA a fim de garantir uma reestruturação voluntária da dívida da Argentina, Domingo Cavallo deverá partir para um ''Plano B'': renegociação forçada, o que significa adiamento de vencimentos, imposição de juros mais baixos e desconto no valor de face dos títulos.
Em entrevista a uma rádio, o antecessor de Cavallo, Ricardo López Murphy, tratou o assunto de forma irônica: ''Há vida depois do ''default' (calote)''.
Os credores aceitariam uma reestruturação forçada por falta de opção: é melhor ficar com papéis de menor valor e que pagam juros mais baixos que entrar em uma fila para tentar receber.
A reestruturação da dívida envolveria três novos papéis que pagariam taxas de juros de 7% anuais. Na megatroca realizada em junho, quando o governo argentino conseguiu postergar o vencimento de títulos no valor de US$ 29,7 bilhões, os juros anuais médios pagos ficaram em 15%.
Diretores de bancos afirmam que com os atuais níveis recordes de risco-país (índice que mede a capacidade de uma nação cumprir seus compromissos) argentino, se quisesse trocar os US$ 92 bilhões em papéis que circulam no mercado, o governo precisaria de uma garantia de pelo menos US$ 30 bilhões. Cada US$ 1 de garantia bastaria para a renegociação do equivalente a aproximadamente US$ 3 em dívida.
''Na prática, a troca compulsória de títulos da dívida é o mesmo que um ''default' (calote) declarado'', disse o diretor de um banco estrangeiro na Argentina.
No final de semana, o ministro da Economia argentino declarou que o país preparava uma renegociação de sua dívida pública, estimada em US$ 132 bilhões. Os valores incluíram os títulos da dívida interna, inclusive das Províncias, e da dívida externa. No entanto, adiantou que a engenharia seria possível somente com apoio de organismos externos.
O primeiro dos organismos de peso a dar um passo atrás em relação à Argentina foi o FMI: uma missão da entidade esteve em Buenos Aires por um dia. Mas, por enquanto, o máximo que aceitaria fazer seria negociar a antecipação para o final deste mês da liberação de recursos (US$ 1,264 bilhão), prevista para dezembro.
O segundo sinal de que não embarcaria na proposta apresentada por Cavallo foi dado pelo secretário de Tesouro dos EUA, Paul O'Neill. Em declarações ao ''Wall Street Journal'' sugeriu que é ''improvável que seu país apoie o pedido da Argentina de nova ajuda ao FMI''.

Pacote Em Buenos Aires, o dia ontem foi de muita volatilidade, boataria e desinformação, o que fez os títulos de sua dívida externa e o índice Merval oscilarem muito. Às 18 horas, quando os negócios se encerravam no Brasil, a Bolsa de Buenos Aires operava em alta de 1,44%. Fechou com valorização de 0,52%. Comentários de que o pacote de medidas do governo argentino poderia ser anunciado ainda ontem à noite mas sem detalhes sobre a renegociação da dívida estimada em US$ 132 bilhões não trouxeram ânimo novo ao mercado.

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