Sem alterações, comércio central perde espaço para Shoppings
Qual o horário mais adequado para o funcionamento do comércio de Londrina? Por enquanto não há consenso entre os sindicatos empresariais e o dos trabalhadores, mas as mudanças no comportamento do consumidor estão apontando para uma direção que parece não ter volta.
As vendas através da internet cresceram 40% em 2010. Está havendo um boom de sites de compras coletivas. O consumidor está mais exigente, quer mais flexibilidade de horários e variedade de produtos e serviços. Em grandes centros há uma série de serviços 24 horas. De supermercados a academias de ginástica; de padarias a cabeleireiros. Pensar o comércio como há 10, 20 anos, não parece ser um bom negócio para ninguém.
Hoje, em Londrina, o comércio funciona das 8h às 18h de segunda à sexta-feira e aos sábados das 8h às 13h. Na Câmara de Vereadores de Londrina estão sendo discutidas alterações no Código de Posturas do Município. Entre elas a que define mudanças no horário de funcionamento do comércio. Se aprovado o comércio local poderá funcionar das 8h às 20h de segunda a sexta-feira e das 8h às 18h aos sábados. O projeto deve ser votado nos próximos dias na Câmara.
''Nos próximos dois anos teremos em Londrina, além do Catuaí Shopping, Shopping Quintino, Planet Shopping, Center Norte, Com-Tour, Armazém da Moda, mais dois grandes shoppings na cidade. O Marco Zero, do grupo Sonae, e o novo do grupo Catuaí, que está sendo construído na zona norte. Todos eles trabalhando em horários diferenciados. Não é inteligente que o comércio do centro e dos bairros permaneça funcionando no horário antigo, não dando uma opção melhor para o consumidor'', diz o ex-presidente do Sescap-Ldr José Joaquim Martins Ribeiro, hoje vice-prefeito de Londrina.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Londrina, Manoel Teodoro da Silva disse recentemente que já há uma flexibilização bastando que o comerciante procure o sindicato para assinar um acordo para mudanças de horário. Afirma ainda que, em sua opinião, o horário de funcionamento não altera o hábito de consumo e sim o seu poder aquisitivo.
O crescimento no número de shoppings e empreendimentos similares, como a loja Havan, recentemente inaugurada em Londrina e como o grupo Angeloni que adquiriu uma área grande na cidade e deve se instalar no próximo ano, mostra que não é bem assim. O consumidor quer facilidades, conforto e liberdade de escolha, inclusive do horário que deseja comprar o produto que lhe agrada. ''Não podemos mais pensar pequeno. Estamos em uma nova era, com novos hábitos. Londrina é uma cidade com mais de 500 mil habitantes. Não dá para agir como se fosse um vilarejo. Temos que nos adaptar aos novos tempos e isso inclui o horário de funcionamento das lojas comerciais'', diz o presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante. Segundo ele o próprio sindicato dos trabalhadores do comércio perde com isso. ''O enfraquecimento do comércio da área central e dos bairros fortalece os shoppings. Aliás, mais shoppings, mais trabalhadores que se sindicalizam ao Sindicato dos Empregados em Shoppings. Não há lógica nesta discussão'', diz Esquiante.
José Ribeiro concorda e diz que o próprio mercado deve se regular. Segundo ele, quanto menos interferência do poder público nesta discussão melhor. ''Não é momento para briga. É preciso união de todos os envolvidos para que possamos revitalizar a área central, criar atrativos para que consumidores de toda a região venham com mais frequência à cidade. Fora isso a discussão é infrutífera'', diz Ribeiro.
Fonte: Sescap-Ldr- Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina





