Sem ajuste, investimentos podem fugir
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quinta-feira, 07 de janeiro de 1999
Agência Estado 
A falta de aprovação do ajuste fiscal pode fazer com que os investimentos de curto prazo saiam do Brasil e sejam destinados a países asiáticos, alertou ontem o economista Lauro Vieira de Faria, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ).Se o ajuste fiscal não andar, o investidor pode considerar que é melhor uma taxa de juros menor em outros países do que outra mais alta, mas cujo retorno não esteja garantido, afirmou Faria, redator-chefe da revista Conjuntura Econômica, que, no ano passado, previu o ataque especulativo sofrido pelo País.
Faria reconhece que vários países asiáticos ainda não se recuperaram da crise de 1997, como a Indonésia, Tailândia e Malásia. Mas lembrou que a Coréia do Sul já começou a retomar o desenvolvimento econômico. A Coréia do Sul já está com produção industrial subindo, fez o ajuste externo e não está com inflação, lembrou o economista, avaliando as possibilidades dos países emergentes no novo cenário econômico.
O gerente da Área Internacional do Banco Bozano, Simonsen, Roberto Campos Neto, considera mais improvável a migração de capitais de curto prazo para a Ásia. A América Latina vai crescer mais do que o Oriente neste ano, previu. Ele lembrou que a situação dos países asiáticos é muito heterogênea, e o Japão continua com a moeda muito valorizada em frente ao dólar, o que já começa a prejudicar as empresas daquele país.
Campos Neto também acredita que o governo está, desta vez, fazendo o dever de casa. Ele se refere à aprovação do prolongamento da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), ontem, e à medida que eleva a contribuição dos servidores inativos - que o governo ainda não conseguiu aprovar na votação do ajuste fiscal mas que deve passar na próxima vez em que for votada pelo Congresso Nacional. O governo fez a sua parte desta vez, afirmou o gerente do Bozano, Simonsen, para quem a próxima vez em que a contribuição dos servidores inativos for colocada em pauta no Congresso, não vai haver a falta de informação e a mistura com outros pontos do ajuste que provocaram a derrota do governo.


