Sem aftosa, País pode dobrar exportação
Agência Estado
De Brasília
O governo brasileiro pretende dobrar as exportações de carne bovina nos próximos três anos. O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, acredita que a declaração do circuito pecuário Centro-Oeste como área livre de aftosa com vacinação permitirá um crescimento das exportações do produto, principalmente para o mercado dos Estados Unidos. Ontem em Brasília, o ministro assinou portaria declarando o Distrito Federal, os estados de São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso e parte de Minas Gerais que compõem aquele circuito pecuário como áreas livres da doença. A aftosa é um empecilho para a venda de carnes brasileiras no mercado externo.
De acordo com Pratini de Moares, o Brasil deve fechar este ano com um total de 550 mil toneladas de carne bovina exportadas, somando um total de US$ 900 milhões em exportações do produto, incluindo aí exportações de carne in natura e carne cozida enlatada. Vamos crescer entre 25% e 30% o volume anual de exportações de carne nos próximos três anos, afirmou.
O ministro acredita que a partir de maio será possível pleitear junto ao governo norte-americano uma cota específica de exportações de carne brasileira para aquele mercado. O Rio Grande do Sul e Santa Catarina devem ser os Estados mais beneficiados com essa possível liberação de uma cota de exportações para os Estados Unidos, já que os dois Estados passam a ser considerados área livre de aftosa sem vacinação a partir do início do próximo ano. A produção anual dos dois Estados é de 15 milhões de toneladas de carne bovina.
Pratini também insistiu que um dos principais desafios do governo brasileiro para o próximo ano é incrementar o marketing de venda de carne brasileira no exterior. A Argentina produz menos que o Brasil, mas consegue vender melhor sua carne no mercado externo, disse. De acordo com números do Ministério da Agricultura, a produção conjunta dos circuitos pecuários Sul e Centro-Oeste, que soma 75 milhões de toneladas/ano, supera toda a produção da Argentina, Paraguai e Uruguai juntos, que soma anualmente 70 milhões de toneladas.
Na solenidade de ontem, o ministro da Agricultura assinou duas portarias. A primeira declarando o circuito pecuário Centro-Oeste como área livre de aftosa com vacinação e a segunda regulamentando os procedimentos de transporte de gado e derivados nos Estados que compõem esse circuito a partir de agora. Ainda hoje, o Ministério da Agricultura encaminhará para a Organização Internacional de Epizootias (OIE), com sede na França, os relatórios finais sobre os exames sorológicos feitos no rebanho do circuito pecuário Centro-Oeste. Estes relatórios serão examinados pelo corpo técnico da OIE, que deve declarar no próximo mês de maio, durante sua reunião anual, o circuito como área livre de aftosa com vacinação.
Os ex-ministros Lázaro Barbosa (Agricultura) e José Eduardo de Andrade Vieira (Indústria e Comércio), do Governo Itamar Franco, são apontados por lideranças do setor como peças-chaves no encaminhamento dos programas contra a aftosa. Iniciados em 93, os programas contaram com apoio do BID e em dado momento chegaram a enfrentar problemas de execução, sob o risco inclusive de perderem o apoio externo. Todas as ações acabaram retomadas dois anos depois, quando José Eduardo já comandava o ministério da Agricultura. No Paraná, houve a interferência pessoal do ex-ministro para que os programas fossem plenamente executados, eliminando as desavenças entre entidades do setor pecuário envolvidas no combate à aftosa.
De acordo com o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, a portaria assinada ontem pelo ministro Pratini de Moraes permitirá a inclusão de cerca de 60 milhões de cabeças de gado liberadas para exportação. A declaração também permitirá que o Brasil declare área livre sem vacinação os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Oliveira voltou a lembrar que o governo brasileiro tem como meta declarar o circuito pecuário Leste, que inclui os Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e parte dos Estados de Minas Gerais, Bahia e Rondônia, como área livre de aftosa com vacinação até 2003. E os demais circuitos (Norte e Nordeste) até 2005. O ministro da Agricultura também informou que foram liberados este mês mais R$ 42 milhões para os Estados incrementarem suas operações de controle e erradicação da doença.Aumento deve ser de 30% sobre o volume comercializado hoje para outros países; governo vai pleitear cota específica junto aos EUA
Arquivo FolhaERRADICAÇÃOPratini de Moraes, ministro da Agricultura, assinou ontem portarias que declaram Paraná livre da doença





