Sem acordo, preço de carro sobe até 25%
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 1999
Agência Estado 
O acordo entre o governo e as montadoras para manter o emprego dos trabalhadores do setor, através da redução do IPI e da estabilidade de preços dos automóveis, corre o risco de não ser renovado no dia 4 de maio. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, e o vice-presidente para Assuntos Corporativos da Volkswagen, Miguel Jorge, disseram ontem que os fabricantes só renovarão o acordo se houver espaço para algum aumento nos preços, possibilidade rechaçada pelo governo.
Pinheiro Neto não quis se manifestar sobre qual seria um mínimo de reajuste na possibilidade de o acordo ser renovado. Miguel Jorge disse, contudo, que o reajuste mínimo para o setor deverá ser de 7% na hipótese de o acordo ser prorrogado. Sem renovação, esse reajuste deverá oscilar entre 20% a 25%, afirmou, acrescentado que a Volkswagen está disposta a abrir sua contabilidade ao governo e aos sindicatos.
A pretensão das montadoras de reajustar os preços foi manifestada ao secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, durante reunião realizada na manhã de ontem com fabricantes, distribuidores e trabalhadores para avaliar o desempenho do acordo emergencial firmado no dia 4 de março passado. O presidente da Anfavea disse que Mattar praticamente tirou qualquer esperança de prorrogação das negociações, caso as montadoras venham a reajustar seu preços no mês que vem. Pinheiro Neto ressaltou, no entanto, que as empresas estão cumprindo sua parte e que a manutenção dos preços após os 60 dias não faz parte do acerto.
O presidente da Anfavea e o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Carlos Alberto Grana, que também participou da reunião com Mattar e, posteriormente, de audiência pública na Comissão de Economia da Câmara dos Deputados, disseram que o governo está preocupado com o desempenho do IPI. Mattar ainda não teria sido informado oficialmente pela Receita Federal sobre queda ou não na arrecadação, conforme eles. Grana disse que o acordo emergencial precisa ser renovado, pois, caso isso não ocorra, os reajustes dos carros poderão chegar, em alguns casos, a 30%, e os trabalhadores serão demitidos.
Em março passado foi assinado um acordo entre o governo e as montadoras para preservar os empregos. O acordo, firmado por um prazo de seis meses - com revisão prevista a cada dois meses - permitiu uma redução média do IPI em cerca de 8% para carros populares e de médio porte por um período de 75 dias, e do ICMS, que foi aceita somente por alguns governadores.


