Curitiba A Unidade de Negócio de Industrialização do Xisto da Petrobras, em São Mateus do Sul, a 140 quilômetros de Curitiba, anunciou ontem à tarde que deve paralisar seu processo de extração no final deste ano. É que a empresa não conseguiu ainda fazer acordo para tomar posse de uma das áreas desapropriadas para a nova lavra, que já deveria estar em operação. O proprietário de uma segunda área, que também não havia deixado o local, fez acordo para adquirir uma nova propriedade.
O gerente geral da unidade, José Manuel Villar, disse que a descontinuidade na produção de xisto está comprometendo a rentabilidade da Petrobras. Segundo ele, a exploração na lavra já está se tornando economicamente inviável.
Ontem, o gerente da unidade reuniu o prefeito de São Mateus do Sul, Luiz Adyr Gonçalves Pereira, a assessora jurídica da Petrobras, Eliane Fernanda de Oliveira, e o engenheiro João Carlos Winck, membro do Comitê de Negociação, para explicar o impasse. Este ano, só em Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) o município arrecadou R$ 7,71 milhões e em Imposto Sobre Serviços (ISS) foram R$ 400 mil. Segundo o prefeito, a usina é responsável por 30% da arrecadação total do município e outros 30% vêm da Incepa, instalada no local por ser consumidora da usina.
A unidade produz diariamente 7,8 mil toneladas de xisto, 3,8 mil barris de óleo, 115 toneladas de gás combustível, 45 toneladas de GLP e 75 toneladas de enxofre. As reservas da formação Irati têm material para exploração nos próximos 500 anos.
A nova área, com 605 hectares, tem material suficiente para os próximos cinco anos de trabalho. O processo de desapropriação começou há dois anos, a partir do decreto presidencial que declarou a área da comunidade de Rio das Pedras de utilidade pública. Das 72 propriedades desapropriadas, 54 foram amigáveis, 16 estão na Justiça e apenas um não saiu da área. Em 10 de setembro, a Justiça decidiu pela imissão de posse para a Petrobras, definindo multa de R$ 500,00 por dia no caso de descumprimento. Mesmo assim, dois proprietários continuaram no local.
A área que ainda não foi desocupada tem 72,6 hectares. Segundo a Petrobras, já estão depositados para o proprietário R$ 260 mil. A Folha procurou o produtor rural Avanir do Amarante, mas não conseguiu contato pelo telefone celular.

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