Sem acordo para resolver crise da aftosa no Paraná
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terça-feira, 07 de fevereiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Ao que tudo indica, a ''crise da aftosa'' está longe do fim no Paraná. Ontem, a Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou que os proprietários da Fazenda Cachoeira não aceitaram o valor da indenização sugerido pela comissão de técnicos montada pelo órgão. Como uma liminar da Justiça Federal de Londrina impede o sacrifício sanitário dos bovinos, por enquanto os 1.795 bovinos não poderão ser abatidos.
A Fazenda Cachoeira, localizada em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), é considerada foco de febre aftosa desde o dia 6 de dezembro. A avaliação do rebanho terminou na sexta-feira passada e neste mesmo dia o valor - R$ 1.285.000,00 - foi apresentado ao pecuarista a título de indenização. No entanto, a proposta não foi aceita. Na sexta-feira, o pecuarista André Muller Carioba declarou à reportagem que o valor estava ''um pouco abaixo do esperado''.
Para o advogado do pecuarista, Ricardo Jorge Rocha Pereira, ''não é o valor da indenização que está em jogo''. ''Eles simplesmente não nos explicam nada, se o Paraná vai ficar liberado depois do sacrifício ou não e querem empurrar a coisa goela abaixo. Não queremos discutir valores, estamos discutindo o foco'', afirmou. Ele admitiu que os pecuaristas não concordam com o valor apresentado e que não o consideram correto. No entanto, ele não disse qual o valor da indenização que seria aceito.
Até o final desta semana, o advogado deve impetrar uma ação principal para manter a liminar que impede o sacrifício dos animais. ''Vamos continuar a discutir tudo na Justiça, enquanto o Ministério não definir as coisas. Eles (ministério) criam problemas e não querem resolver'', afirmou.
Via judicial - Ontem de manhã, os membros da comissão de avaliação se reuniram na sede da Superintendência do Mapa, em Curitiba. Na ocasião, foram feitos relatos e detalhamento do trabalho dos técnicos ao superintendente Walmir Kowaleswki de Souza. Agora, esse relatório da comissão será encaminhado à Corregedoria Geral da União e à Advocacia Geral da União para análise. Os dois órgãos devem se manifestar sobre o valor apresentado em 48 horas.
A assessoria de imprensa do Mapa, em Curitiba, inclusive informou que hoje haveria uma reunião entre o pecuarista André Carioba Filho, gerente da Fazenda Cachoeira, e o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, para discutir o sacrifício dos bovinos. No entanto, essa informação foi contestada pela assessoria de imprensa da Rural. Segundo o assessor, a Rural é contrária ao abate do rebanho porque não concorda com a condição de foco de aftosa.


