O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Paulo Costa Leite, disse que, se não houver acordo sobre o pagamento da correção do FGTS entre trabalhadores e governo, ele vai pedir que os juízes priorizem as análises dessas ações nos tribunais. ‘‘O Judiciário não vai deixar os trabalhadores brasileiros órfãos’’, disse. O ministro está preocupado com o acúmulo de trabalho nos tribunais, mas acha que os trabalhadores não podem sair prejudicados nessa questão.
‘‘Não há a mínima possibilidade de o trabalhador perder essa ação’’, explicou o ministro. Segundo ele, a posição da Justiça já está firmada e a tramitação dos processos tem de ser rápida. Costa Leite explicou que existem 50 mil processos no STJ atualmente, mas as contas de FGTS somam 50 milhões. ‘‘Vamos ter um grave colapso no sistema’’, disse.
AbatimentoPara pagar o rombo do FGTS, estimado em R$ 40 bilhões, o governo deve propor que o trabalhador abra mão de 10% do valor do saldo que tem direito a receber referente às perdas dos planos econômicos Verão e Collor 1. Ou seja: o trabalhador que teria direito a R$ 1.000 de correção do fundo receberia, na prática, R$ 900. O prazo para pagamento de contas acima de R$ 1.000 (cerca de 8% dos 60 milhões de trabalhadores) poderia ser feito em cinco anos e não em sete, como havia sugerido o governo. As contas com até R$ 1.000 (92%) poderiam ser pagas em julho de 2001. A Agência Folha apurou que a medida deverá ser apresentada às centrais sindicais na próxima terça-feira, durante a reunião com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles.

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