Curitiba - Os trabalhadores avulsos do Porto de Paranaguá vão manter a ''operação tartaruga'' iniciada na última terça-feira, ao menos, até amanhã. Isso porque o Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo), responsável pelas escalas de trabalho, não participou da audiência que aconteceu na sexta-feira no Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR), em Curitiba. O advogado do Sindicato dos Estivadores, José Maria Gonçalves Junior, disse que os oficiais de Justiça não encontraram ninguém do Ogmo em Paranaguá para entregar a intimação.
''A falta do Ogmo (na audiência) foi determinante para o não retorno das operações'', disse. Os trabalhadores protestam contra a mudança da escala que era de 6 horas de trabalho para 11 horas de folga e passou de 6 horas por 18 horas de descanso. Os trabalhadores avulsos ganham por produção, por isso não aceitam a redução da folga.
Amanhã, está marcada uma assembléia do Sindicato dos Operadores Portuários (Sindop) para avaliar a situação. Os trabalhadores aguardam o que será decidido para acabarem ou não com a ''operação tartaruga''. Após mais de três horas de negociação no TRT-PR na sexta-feira, foi marcada uma nova audiência de conciliação para o dia 18 de abril, às 15 horas.
Apesar da paralisação dos trabalhadores, ontem não havia fila de caminhões na BR-277 em direção ao porto. No entanto, há a possibilidade de isso voltar a acontecer, já que no início da semana, tradicionalmente, existe um movimento maior de caminhoneiros em direção a Paranaguá no período de safra. A reportagem também recebeu informações extra-oficiais de que a ''operação tartaruga'' deve comprometer o volume de movimentação do porto neste mês.
Gonçalves Junior disse ainda que na audiência de sexta-feira, o Ministério Público do Trabalho (MPT) cogitou a possibilidade de executar um acordo realizado em Paranaguá para a implantação da escala eletrônica.
Em 2006, o MPT entrou com uma ação judicial contra o Ogmo e os sindicatos de trabalhadores para que o órgão fizesse a escalação eletrônica respeitando o regime de trabalho de 6 horas por 11 horas de folga. Na época, o Ogmo se comprometeu a respeitar essa escala sob pena de pagar multa de R$ 6 milhões. Como, a regra de escala foi modificada, o MPT avalia a possibilidade de executar a multa de R$ 6 milhões.
O Ogmo mudou a escala para não ter problemas com o pagamento de horas extras. Ontem, o órgão foi procurado pela reportagem mas informou que não vai se pronunciar sobre o assunto.

mockup