Sem acordo, greve na Ford continua
Agência O Globo
De São Paulo
Terminou sem acordo a reunião entre represen tantes da Ford, da Força Sindical e da CUT. Segundo o presidente da Ford, Antonio Maciel Neto, a empresa não aceita a inclusão de uma cláusula de garantia de emprego na medida provisória que lhe garantirá incentivos fiscais. Segundo Maciel, o contrato da Ford com o BNDES já contempla a geração de um número de empregos no projeto da Bahia.
No projeto da Bahia, a Ford mais as empresas de autopeças vão gerar cinco mil empregos. Não somos favoráveis à inclusão de uma cláusula como essa na MP, porque o projeto da Bahia não tem nada a ver com a fábrica de caminhões do Ipiranga, afirmou Maciel.
Segundo o presidente da Ford, a fábrica de caminhões e picapes ficará no Ipiranga até o final deste ano. Segundo ele, ainda falta terminar os estudos de custos e da situação dos trabalhadores para a transferência da fábrica para a unidade de São Bernardo. Maciel garantiu que a fábrica de São Bernardo vai produzir carros, caminhões e picapes ao mesmo tempo, independente da nova unidade da Bahia. Hoje, a fábrica do ABC produz apenas carros.
A Ford já investiu US$ 2,5 bilhões nos últimos quatro anos em São Paulo, e vai investir mais US$ 500 milhões neste ano. Não estamos fazendo tudo isso para ficarmos com cerca de 10% do mercado. Queremos muito mais do que isso, disse o presidente da Ford.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e da Força Sindical,
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, afirmou ontem que a greve na unidade da Ford do Ipiranga continua até amanhã, quando haverá uma nova reunião entre os sindicalistas e a direção da montadora.
Paulinho confirmou para hoje uma paralisação em diversas fábricas de autopeças na região metropolitana de São Paulo. Segundo ele, os trabalhadores da Ford Ipiranga, mais funcionários de empresas de autopeças, sairão em passeata às 8h do bairro do Ipiranga até a sede do Ministério da Fazenda em São Paulo, onde haverá uma manifestação conjunta por volta das 10h da manhã. Os sindicalistas pediram apoio do governador paulista Mário Covas para o movimento.





