Sem acordo, greve dos bancários perde força
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quarta-feira, 13 de outubro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A falta de acordo entre funcionários e dirigentes do Banco do Brasil ontem, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), enfraqueceu ainda mais a greve dos bancários no Paraná, que hoje completa um mês. O presidente do TST, ministro Vantuil Abdala, designou como relator do processo o ministro Antônio Barros Levenhagen. O julgamento do dissídio coletivo do Banco do Brasil (BB) e da Caixa deve ocorrer no dia 21.
Na audiência, o presidente do TST fez a mesma proposta aos dois bancos: abono de R$ 1 mil, acréscimo de 1% aos índices já oferecidos pelos bancos e garantia de que os dias parados não seriam descontados. A Caixa não quis negociar. Disse apenas que mantinha a proposta anterior, feita pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O BB só acenou negociar os dias parados e deixou claro que não pode arcar com abono e reajuste extra.
A presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, Marisa Stédile, reconheceu que a greve vem se enfraquecendo em decorrência do ''impacto negativo das decisões judiciais favoráveis aos banqueiros''. Para ela, os interditos proibitórios obtidos que impõe pesadas multas aos sindicatos , deixam os funcionários vulneráveis à pressão.
Como a pressão sobre os bancos públicos não evoluiu, o sindicato iniciou ontem uma nova estratégia de manifestação. Fez um protesto em frente de duas das maiores agências de bancos privados (Bradesco e Itaú) na rua mais movimentada de Curitiba, onde distribuiu 400 sanduíches de cachorro quente à população, para denunciar ''a cachorrada que os banqueiros estão fazendo com os bancários em não abrir as negociações'', segundo a sindicalista.
Em Curitiba, o sindicato foi contrário à decisão da Confederação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contec) em ajuizar dissídio coletivo. Segundo Marisa, toda vez que os bancários recorreram ao TST sempre perderam.
Até o fechamento dessa edição, não havia decisão sobre os rumos do movimento durante assembléia da categoria realizada ontem à noite. Caso haja decisão pela continuidade da greve, Marisa reconhece que os sindicalistas vão precisar de criatividade para manter acesa a chama do protesto entre os bancários.


