A Agência Nacional de Vigilância Sanitária interditou, na semana passada, dois lotes de diferentes empresas por ter encontrado teores de aflotoxina, grupo de microtoxinas produzidas por determinadas espécies de um fungo que pode ser encontrado nas culturas de amendoim que não respeitem normas de higiene e de estoque.
Para evitar a compra de mercadoria com problemas e que pode causar sérios danos à saúde humana, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados - Abicab - criou, em 2001, um Programa de Auto-Regulamentação e Expansão de Consumo de Amendoim, o Pró-amendoim.
Estabelecido em conformidade às normas internacionais da FAO-ONU (Food and Agricultural Organization/Organização das Nações Unidas) com o apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa, o Pró-Amendoim visa a implementação das Boas Práticas de Fabricação - BPF.
Além do conjunto de medidas do Pró-Amendoim, que visa monitorar a presença de aflatoxinas no amendoim processado, a indústria do setor conta também com o Selo de Qualidade Abicab, cuja aplicação iniciou-se em 2002 e tem permitido às empresas dar continuidade aos critérios do programa.
Desde a implementação do Programa a quantidade de lotes que apresentaram não-conformidade na qualidade caiu de 40 para apenas 7%. A união de tais resultados com o aprimoramento da cadeia produtiva também favorece as exportações.
Renato Fechino, vice-presidente do setor de amendoim da Abicab, explica que é muito importante que o consumidor atente para a existência do selo nas mercadorias que compra. ''O Selo Amendoim de Qualidade Abicab já está presente em mais de 45% dos produtos comercializados e isso permite ao consumidor brasileiro optar por alimentos de alta confiabilidade, pois o processo de fabricação e a procedência são devidamente atestados'', afirma Fechino.
Dessa forma as empresas participantes, e que consequentemente obtiveram o Selo, estão autorizadas a utilizá-lo na informação visual das embalagens de seus produtos. Até o momento já foram certificadas 12 empresas (Agtal, Amembra, Arlindo Valêncio, Carino, Dori, Dr. Oetker, Inam, Irlofil, Malta Rezende, Maritucs, Santa Helena e Yoki), que atendem também a demanda do varejo de marcas próprias.
Paralelamente às auditorias do Pró-Amendoim, as empresas passam também pelo monitoramento periódico de seus produtos nos pontos de maior concentração de vendas que acontece em 12 estados. O processo envolve a coleta de amostras que serão analisadas por laboratórios credenciados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA.
Autoridades sanitárias locais, estaduais e federais são contatadas caso ocorra identificação de produto contaminado por aflatoxinas. A medida prevê a interdição de lotes que poderiam afetar a segurança do alimento fornecido aos consumidores.

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