Selo Alimentos do Paraná dá eficiência a empresas durante crise
Programa que oferece avanços em gestão e fabricação de produtos completa quatro anos e chega a 180 empresas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
Programa que oferece avanços em gestão e fabricação de produtos completa quatro anos e chega a 180 empresas
Fabio Galiotto - Grupo Folha 

Um grupo de 180 empresas conta hoje com a chancela do selo Alimentos do Paraná, programa que permite melhorar processos de gestão e fabricação para abrir novas possibilidades de comercialização. Apesar de não ter decolado como poderia desde o lançamento, em 2015, o número de agroindústrias foi multiplicado por oito e permitiu que participantes crescessem em faturamento, reconhecimento de marca e geração de empregos mesmo durante os anos de crise nacional.
O selo funciona como reconhecimento da qualidade na gestão empresarial e nos processos de produção de indústrias e beneficiadoras de alimentos e bebidas, que seguem as boas práticas de produção e atendem às exigências sanitárias e aos padrões de qualidade. Para isso, os participantes contam com consultorias, treinamentos, avaliações e auditorias, feitas pelo Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná). Assim, fica comprovado que atenderam as exigências relacionadas a produtos e processos e melhoraram a gestão empresarial, conforme critérios da FNQ (Fundação Nacional da Qualidade).
O Sebrae-PR é o idealizador e mantenedor do programa e forma o comitê gestor ao lado de Fecomércio-PR (Federação do Comércio do Estado do Paraná), Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e Apras (Associação Paranaense de Supermercados). Consultor do Sebrae em Londrina, André Azevedo acredita que o programa teria atraído mais interessados não fosse o atual momento econômico, por mais que o custo não seja tão alto. “É algo que envolve um investimento, mas poucos ainda procuram porque o Sebrae não faz uma propaganda tão massificada. É mais pelo boca a boca.”
Azevedo considera que o selo é mais uma chancela do que uma certificação, que dependeria de aprovação da metodologia de outros órgãos. No entanto, conta que oferece a aceleração da aceitação porque, quando uma empresa entra com um produto em uma rede de supermercados, por exemplo, é pedida uma avaliação de qualidade que é garantida pelo programa. “Na gestão, é preciso atingir uma nota mínima de acordo com os critérios da FNQ e, na fabricação, é preciso mais de 80% de conformidade em todas as áreas analisadas”, diz.
Não há muitas reprovações, já que os consultores acompanham todo o processo e somente pedem a auditoria depois que é feito um diagnóstico antecipado. “Identificamos o nível de maturidade e depois fazemos a preparação. Todo o processo demora de três a oito meses”, afirma Azevedo.
A cada ano é necessário renovar o selo, o que permite novos avanços na gestão e fabricação de produtos. Nem todos os empresários decidem permanecer no programa, mas há benefícios para os que continuam. Um dele é a chance de participar de rodadas de negócios exclusivas para agroindústrias com o selo Alimentos do Paraná, promovidas pelo Sebrae. “Para o comprador e para o consumidor, é um atestado de que a empresa tem boas práticas, o que garante qualidade e segurança alimentar”, completa Azevedo.
SERVIÇO
Quem desejar mais informações pode acessar o endereço eletrônico www.sebraepr.com.br/seloalimentosdoparana, procurar um escritório do Sebrae no Estado ou telefonar para 0800 570 0800.

Empresários relatam redução de custos
e aumento de clientes
Depois de quatro anos no mercado, o diretor geral da Benni Alimentos Saudáveis, Sandro Castro, enxergou no selo Alimentos do Paraná a chance de qualificar os processos de gestão e fabricação. Com o conhecimento sobre certificação de trabalhos anteriores e pelo contato com o Sebrae, ele percebeu a importância de levar a agroindústria a um novo estágio. “Quando percebi tudo o que era abordado, desde a estrutura, os recursos humanos, o financeiro, ponderei que valeria a pena participar do processo”, conta o representante da empresa que nasceu em Londrina e se transferiu para Ibiporã.
Castro aderiu no ano passado e neste ano resolveu renovar. Ele conta que conseguiu reduzir gastos e aumentar o intercâmbio entre os departamentos da empresa. “O ponto fundamental foi a exposição da identidade organizacional, que existia, mas não era divulgado internamente e externamente de modo forte”, diz Castro.
Inicialmente, o diretor da Benni chegou a questionar o Sebrae sobre a falta de publicidade sobre o selo, que é feito mais no material interno do órgão e nas gôndolas. Porém, conta que entendeu que há outras vantagens. “Neste ano vi um movimento positivo com os convites para rodadas de negócios específicas para quem tem o selo, porque funciona como uma certificação que garante credibilidade ao produto e segurança aos compradores”, cita. “Fui à rodada em Foz e o retorno comercial foi muito positivo”, complementa.
Para o proprietário da Soeto Alimentos, Josmar Bagatin, a capacitação não apenas garantiu eficiência como mudou o rumo da empresa, que fica em Joaquim Távora, no Norte Pioneiro. “Melhoramos a qualidade do produto, nosso processo ficou mais enxuto e vimos nascer o interesse em inovação durante as rodadas de negócios”, conta.
Inicialmente, a Soeto fornecia produtos para indústrias, restaurantes e atacados, mas um cliente em uma dessas rodadas sugeriu o varejo. “Tínhamos uma linha de 24 produtos e hoje são mais de 80”, diz. “Posso dizer que melhoramos em 80% o faturamento com o crescimento de mercado e fortalecimento da marca”, cita Bagatin, que começou com dois funcionários e hoje tem 74.
O empresário pretende renovar o selo porque entende como necessário para inovar, conhecer tendências e para participar de feiras. “O investimento é super baixo perto do retorno, que é garantido, porque valorizamos nossos produtos, deixamos de ter desperdício e um novo mercado se abriu”, encerra. (F.G.)


