Selic sobe e atinge 19,75% ao ano
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de maio de 2005
Folhapress 
Brasília - Pelo nono mês consecutivo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou os juros básicos da economia. A chamada taxa Selic subiu de 19,50% para 19,75% ao ano, alta de 0,25 ponto percentual.
Com uma inflação acumulada em 12 meses bem acima do objetivo do governo para o ano e os consecutivos aumentos na previsão de inflação para 2005 promovidos pelo mercado, o Banco Central decidiu manter o aperto na política monetária.
A taxa Selic serve de referência para os bancos calcularem os juros dos empréstimos cobrados dos clientes. Quando os juros sobem, o crédito para pessoas e empresas fica mais caro, com isso, a tendência é que o consumo desaqueça. Com consumo menor, a autoridade monetária consegue assegurar a estabilidade da moeda.
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no acumulado de 12 meses até fevereiro está em 8,07%. Bem acima do objetivo do BC para o ano, que é uma inflação de 5,1%. O índice, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o indicador usado pelo governo para as metas de inflação, que neste ano é de 4,5%, com uma margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.
O mercado prevê que o ano irá encerrar com uma inflação de 6,39%, maior que a última previsão antes da reunião do mês passado, que era de 5,77%.
A decisão de elevar os juros desagrada políticos, empresários e o Palácio do Planalto, que acreditam que o BC deveria encontrar outras formas de controlar a inflação.
Um dos riscos dessa política mais dura do BC é provocar uma desaceleração do crescimento da economia. A justificativa será conhecida no dia 27, quando será divulgada a ata da reunião.


