Curitiba - A economia paranaense não deve sofrer impactos por causa da alta de um ponto percentual na taxa de juros Selic, definido na quarta-feira pelo Comitê Político Monetário (Copom) do Banco Central. A taxa básica passou de 21% para 22% ao ano. Os setores agrícola, industrial e varejista acreditam que a medida não vai influenciar no bom desempenho econômico esperado para o final de ano.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, a alteração era necessária para frear a inflação, que já acumula alta de 6,98% no ano pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e está estimada em 6,5% para 2003. Mas análises de mercado apontavam para uma inflação de 10% no ano que vem. ''Prefiro que, por um período curto. tenhamos aumento na taxa de juros do que inflação'', afirmou. Para Carvalho, os reflexos da alta vão ser minimizadas pelo período natalino. ''O comércio vende mais, há injeção de 13º salário e, por isso, o aumento não vai ter impacto tão devastador'', analisou.
O vice-presidente de Serviços da Associação Comercial do Paraná (ACP), Élcio Ribeiro, também disse que a economia não deve sentir o acréscimo de juros. ''A maioria das compras de Natal já foi feita, e acredito que a perspectiva de aumentar as vendas entre 3% ou 4% se mantenha'', declarou. Ribeiro disse que muitas pessoas que receberam o dinheiro das correções do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) já saldaram suas dívidas e, por isso, estão aptas para o consumo. ''Acredito até que as vendas se dividam bem entre novembro e dezembro, já que muitos vão usar o 13º salário para comprar'', acrescentou.
O setor agrícola, que não sofre diretamente a variação de juros, já que os financiamentos agrícolas tem taxa fixa de 8,75%, concorda que os reflexos na economia serão poucos. ''O Banco Central deixou muito claro que a taxa é para conter esse movimento inflacionário, e o que se presume é que tão logo essa bolha de inflação passe, a taxa volte a patamares menores'', observou o assessor da presidência da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque.
A variação de apenas um ponto percentual é muito pequena para alterar o quadro já vigente, na opinião do economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro. ''O governo tomou essa atitude para dar um recado ao mercado, que tem de mostra que esse movimento inflacionário é apenas uma bolha cambial, se não as taxas de juros vão aumentar mais'', disse.

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