A redução dos juros básicos da economia, aliada ao cenário de relativa estabilidade econômica e política do País, fez com que o grupo de investidores formado por pessoas físicas assumisse, pela primeira vez em 10 anos, a vice-liderança dentro do volume total de investimentos da Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo.
De acordo com informações da Bovespa, em julho a participação de pessoas físicas em investimentos chegou a 25,8% do volume total. Só os investimentos institucionais (fundos de pensão e de investimentos e seguradoras) foram superiores, respondendo por 29,8% do total.
Segundo Fernando Augusto José, diretor para a região sul do banco de investimentos Fator, a expectativa de queda dos juros e a estabilidade verificada no País tem forçado o investidor a assumir comportamentos mais ousados, aumentando sua participação na Bolsa em detrimento de investimentos considerados mais conservadores, como títulos diretos do Tesouro Nacional, cuja compra é permitida à pessoas físicas desde o início do ano, ou outros fundos passivos.
''A maior turbulência pela qual o Brasil deveria passar já se foi. Isso fez com que os investidores pessoa física se atraíssem por alternativas diferenciadas''. Segundo Fernando José, queda da Selic também forçou a diminuição da rentabilidade dos títulos do governo, fazendo com que o dinheiro de investimentos sofresse o redirecionamento mencionado.
Para o diretor, bom senso e planejamento são as premissas básicas para pessoas que desejam se aventurar em investimentos mais arriscados como a Bolsa. ''Também é preciso abandonar a ilusão de ganhos em curto prazo''.
Segundo o executivo, o volume inicial de investimentos para pessoas físicas que desejam iniciar seus investimentos na Bolsa é, em média, de R$ 1 mil, mas há ainda a possiblidade de se trabalhar com quantias menores pela Internet. ''A orientação de um especialista em investimentos para iniciantes é essencial'', frisa.

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