São Paulo - O aumento de meio ponto percentual da taxa Selic, para 17,25%, definido quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), deverá impactar as vendas futuras de defensivos agrícolas, disse ontem o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), José Roberto Da Ros. ''Mais de 90% das vendas de defensivos são financiadas pela indústria'', explica.
As vendas de defensivos para a safra de soja 2004/2005, as mais significativas para o segmento químico (44,2% das vendas totais em 2003), já foram realizadas, o que significa um alívio para a indústria. Isso porque os agricultores brasileiros tiveram de tomar a decisão ante a queda da cotação da soja no mercado internacional.
Esse fator, que naturalmente reduz expectativas de rentabilidade sobre a safra, se uniria à alta da taxa de financiamento dos insumos no mercado interno, fazendo com que a área de plantio crescesse ainda menos do que os estimados dois milhões de hectares a mais que a anterior, que ocupou 21 milhões de hectares. Da Ros não soube informar o que seria um grande crescimento, mas disse que este é modesto.
Outro fator decisivo para a indústria de defensivos químicos é a variação do dólar. Se a safra de soja fosse comercializada hoje, com o dólar a R$ 2,75, os agricultores brasileiros teriam menos recursos para investir em tecnologia para o plantio seguinte (2005/2006) - ou seja, uso maior de implementos como os defensivos, para aumentar a produtividade.
Com expectativa sobre o recuo da cotação dos grãos e ainda da estabilização do dólar nesse patamar baixo, os agricultores reduziriam suas projeções sobre aumento do plantio em hectares. Para a indústria de defensivos, que depende da importação de concentrados (para formulação e embalagem locais) e da compra externa de produtos prontos, a queda do dólar é uma boa notícia. ''Só que a moeda americana terá de ficar em baixa até o próximo ano, quando são pagos os financiamentos e nossos fornecedores'', avalia Da Ros. Já quanto à Selic, a indústria só repassará a alta aos compradores de defensivos caso os bancos adiram à nova taxa imediatamente.

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