Selic deve subir mais em novembro
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sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou na noite de quarta-feira a taxa básica de juros, a Selic, de 9% para 9,5%, mesmo com os sinais de desaceleração dos preços. Analistas de mercado acreditam que a quinta alta consecutiva não deve ser a última do ano, porque o governo teme que a inflação ultrapasse os 6,5% do teto da meta para este ano com os reajustes de produtos monitorados, como combustíveis e energia elétrica.
No comunicado oficial do BC, a justificativa para o reajuste foi que a decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que a tendência persista no próximo ano. Como o texto é o mesmo das notas anteriores e a decisão foi unânime, criou-se a expectativa de que a próxima reunião do Copom tenha novo reajuste de 0,5%. Desde abril, a taxa aumentou 2,25 pontos percentuais.
O presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, afirma que é preciso segurar os preços livres, de produtos em geral, para poder elevar os de controlados. Com o congelamento de preços de combustíveis e de energia, por exemplo, ele afirma que o governo mostra uma intervenção exagerada, que afasta investimentos. "O mercado precisa de um sinal de que as regras são respeitadas. A Petrobras é a única empresa que perde dinheiro mesmo com a valorização do produto que vende."
Como resultado direto dos juros mais altos, ocorrerá uma redução no acesso ao crédito, tanto para consumidores quanto para empresas. Por isso, representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de federações estaduais e de centrais de trabalhadores demonstraram preocupação com a decisão do BC. Isso porque a redução nas compras e nos investimentos deve atrapalhar o crescimento da já cambaleante economia nacional, bem como reduzir a criação de novas vagas de emprego.
Segundo a CNI, é necessário que a política fiscal seja mais usada no combate à inflação. "O maior controle dos gastos públicos reduzirá a necessidade de atuação da política monetária e imporá menores custos ao setor produtivo", informa, em nota.
Na mesma linha, o professor de economia Antônio Eduardo Nogueira, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que o mais adequado seria a manutenção ou redução da Selic em paralelo a uma política fiscal austera. Ele lembra que mesmo os países desenvolvidos em crise mantiveram os juros em patamares baixos. "O problema é que, com preparativos para a Copa do Mundo e a proximidade das eleições, é difícil o governo fazer isso. Sobra a política monetária."
Nogueira diz que o Brasil precisa crescer a taxas maiores e que a alta dos juros compromete o Produto Interno Bruto (PIB) dos próximos anos. "Tem de controlar gastos, sem elevar a dívida pública, para dar segurança para empresários e investidores."
Pressão de bancos
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Carlos Cordeiro, afirma que a alta da Selic beneficia especuladores e instituições financeiras, em detrimento do mercado de trabalho. "Fica mais claro do que nunca que o objetivo por trás do discurso da necessidade de controlar a pressão inflacionária é, na verdade, atender a interesses das instituições financeiras, as principais detentoras da dívida pública", diz, em nota.
Conforme dados de agosto do Tesouro Nacional, 22,6% da dívida mobiliária federal está atrelada à Selic. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) calcula que cada reajuste de 0,5 ponto percentual na Selic equivale a R$ 3 bilhões a mais por ano na dívida pública, transferidos em grande parte aos bancos, os principais credores. (Com agências)
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