Selic deve chegar a dezembro em 20%
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sexta-feira, 22 de agosto de 2003
Rodney Vergili<br> Agência Estado 
São Paulo - Pesquisa realizada este mês pelo Comitê de Economia da Câmara Americana de Comércio (Amcham) - 6 Rodada de Prognósticos - com 23 economistas-chefes de bancos e grandes corporações demonstra uma expectativa de taxa de juros básica (Selic) de 20% ao ano em dezembro. A estimativa é inferior à projeção da pesquisa anterior, de abril, que apontava juros de 21,61% para dezembro.
De acordo com a pesquisa, os economistas estimam que a taxa de risco do Brasil (padrão divulgado pelo banco norte-americano JP Morgan) deverá cair para uma média de 707 pontos-base em dezembro. Paulo de Albuquerque, presidente do Comitê de Economia da Amcham, considera que o número ''ainda parece elevado, em face do potencial da economia brasileira''. A pesquisa anterior projetava um índice de risco Brasil de 825 pontos-base para dezembro.
Nicola Tingas, economista-chefe do Banco WestLB, diz que o Brasil tem liderado os mercados emergentes com notícias favoráveis sobre o andamento das reformas e a queda no risco país. ''Estamos francamente rumando para os 700 pontos-base'', diz Tingas. Ele afirma que até o fim do ano pode-se abrir espaço para o risco chegar a 550 pontos-base.
''O que vai definir isso será o sucesso da rodada atual de estabelecimento de uma agenda de planejamento coerente, uma renegociação com o Fundo Monetário Internacional em bases razoáveis e o surgimento de começar a se ter sinais de estímulo na atividade econômica'', diz. Ele entende que a questão de agilidade do governo é extremamente importante na fase atual de preparação para a volta do ''crescimento econômico sustentado'' com marcos regulatórios, ampliação da corrente de comércio externo e aumento do consumo de massa doméstico.
Com relação à inflação, a pesquisa deste mês mostra, pela primeira vez, que as projeções para o índice de inflação (IGP-M) calculado pela Fundação Getúlio Vargas deve superar ao final do ano o indicador (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os economistas estimam um índice de inflação de 9,75% (IGP-M), ante 10,38% do IPCA.
Albuquerque diz que isso está ocorrendo devido ''à influência das sucessivas quedas na taxa de câmbio sobre o Índice de Preços por Atacado (IPA) com maior influência sobre o IGP-M''. Na pesquisa de abril, estimava-se que o IPCA fecharia o ano em 12,59% e o IGP-M, em 15,47%.
Para o dólar, a estimativa média é de que a moeda norte-americana esteja cotado a R$ 3,19 no fim de dezembro. A elevação em relação à cotação atual (por volta de R$ 3) pode influenciar o Índice de Preços por Atacado e ter repercussões negativas no IGP-M, que é o principal parâmetro utilizado para o reajuste dos chamados ''preços administrados'', afirma Albuquerque. A expectativa de cotação do dólar para dezembro é inferior, no entanto, ao apurado na pesquisa anterior, que apontava para R$ 3,50.


