Selic deve cair 0,25%, prevê mercado
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segunda-feira, 12 de abril de 2004
Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília - As instituições ouvidas pela pesquisa semanal do Banco Central (BC) no mercado financeiro chegaram às vésperas da reunião de abril do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa hoje e termina amanhã, apostando em sua maioria numa redução de apenas 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros, a Selic, que cairia dos atuais 16,25% para 16% ao ano. Uma redução maior, na visão das instituições consultadas, viria em maio, quando a taxa poderia recuar para 15,50%. Novas reduções no resto do ano, segundo a sondagem, levaria a Selic para 14% ao ano em dezembro.
De acordo com o levantamento, o corte previsto de 2,25 pontos na taxa Selic até o fim do ano não seria suficiente, entretanto, para trazer a inflação ao centro de meta de 5,5% fixada para 2004. As estimativas de IPCA para este ano, constantes da mesma pesquisa, chegaram a registrar até um pequeno aumento, passando de 6% para 6,06%. As previsões da inflação para 12 meses recuaram, por sua vez, de 5,55% para 5,48%, mas continuaram acima da trajetória das metas, que é de 5,25%. A boa notícia trazida pela pesquisa no campo inflacionário foi a possibilidade de recuo do IPCA em maio, que cairia dos 0,44% deste mês para 0,35%.
Com a evolução da política monetária prevista na pesquisa, a taxa de câmbio sairia dos R$ 2,92 por dólar estimados para o final deste mês e subiria para R$ 3,05 no fim do ano. Na avaliação do mercado, a cotação seria suficiente para provocar um superávit de US$ 24,90 bilhões na balança comercial, que ultrapassaria, com isso, o recorde de US$ 24,825 bilhões do ano passado. Em consequência, o País voltaria a registrar pelo segundo ano consecutivo um saldo positivo na conta corrente do balanço de pagamentos (balança comrcial mais serviços), que desta vez ficaria em torno de US$ 1,2 bilhão, ante US$ 4,051 bilhões em 2003. A redução seria explicada pelo comportamento da balança de serviços, que tende piorar em conjuntura de retomada da atividade econômica.
A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) tenderia, de acordo com a pesquisa, a ficar em 3,50%, mesmo nível previsto pelo BC em seu último Relatório de Inflação. Esse porcentual tem sido colocado em dúvida por alguns economistas em razão da fraca produção industrial dos dois primeiros meses do ano. Na visão destes economistas, o crescimento poderá ficar abaixo dos 3,50%, porcentual já considerado moderado pelos mesmos analistas para atender à demanda por emprego na economia.


