Selic baixa não impulsiona economia
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sexta-feira, 13 de julho de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
Desde a última quarta-feira, a taxa básica de juros da economia, a Selic, é a menor da história: 8%. O Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) vem apostando mensalmente na redução dos juros, desde julho de 2011, como forma de incentivar a economia. O governo também tem lançado mão de outras medidas, como a desoneração da folha de pagamento e a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns setores.
Apesar desse esforço, o mercado segue em ritmo de desaceleração. Números divulgados nesta semana mostram que, influenciada pela crise europeia, a economia nacional não anda lá essas coisas. Na terça-feira, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostrou que o emprego na indústria recuou 1,7% em maio.
No mesmo dia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 3% para 2,1% a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Na quarta-feira, o IBGE revelou uma redução de 0,7% nas vendas do comércio varejista na passagem de abril para maio.
O que está errado? Por que o governo não consegue acelerar o ritmo econômico? Para o economista e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Renato Pianowski, a resposta é que os ''remédios administrados'' agora são os mesmos da crise de 2008 e perderam a eficácia. ''Reduzir juros e aumentar crédito não vai resolver o problema agora. É preciso mexer na ferida principal, que é a carga tributária. E o remédio é a reforma'', ressalta.
Na opinião dele, somente uma redução de impostos e consequente queda nos preços faria com que os níveis de consumo voltassem aos patamares de 2010, quando o PIB brasileiro cresceu 7,5%. Mas, para isso, é preciso coragem por parte da presidente Dilma Rousseff. ''Com esse ministro (Guido Mantega, da Fazenda), eu não acredito em reforma. Ele é o homem dos remédios homeopáticos'', ironiza.
Para o economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Basílio Pereira, a queda na Selic cumpriu com um dos seus objetivos que é baratear a dívida do País. Mas não vem ajudando a impulsionar a economia porque as famílias se endividaram demais em 2010 e até a metade de 2011. ''Hoje, as pesquisa mostram que o brasileiro já comprometeu tudo o que podia do seu orçamento com prestações. Não tem como comprar muito mais'', afirma o professor.
Para ele, não basta a reforma tributária. ''É preciso tomar medidas de médio prazo, com investimentos em educação e infraestrutura.'' Ele defende uma reforma tributária progressiva de forma que os pobres paguem menos impostos. E também que incentive o empresário a investir em inovação e tecnologia.
Pereira afirma que, sem mudanças estruturais, o Brasil não crescerá mais que 3% ao ano. Ele acredita que, não fossem os investimentos que o País tem feito por causa do Pré-Sal, da Copa do Mundo e das Olimpíadas, o PIB deste ano ficaria próximo de zero.


