Após sete meses do início da Operação Leite Compensado, desencadeada em maio pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), os primeiros réus começam a ser condenados por fraudar leite cru durante o transporte dos lotes de diversas empresas, adicionando substâncias como formol para dar volume à produção. Dentre as seis pessoas condenadas pela Justiça de Ibirubá (RS), cinco cumprirão pena em regime fechado no Presídio Estadual de Espumoso, incluindo o ex-funcionário da Confepar, Daniel Riet Villanova, que pegou 11 anos e sete meses de reclusão.
Os outros condenados, segundo o MP-RS, são Paulo César Chiesa (dois anos e um mês de reclusão em regime semiaberto), João Irio Marx (nove anos e sete meses de reclusão), Angélica Caponi Marx (nove anos e sete meses), Alexandre Caponi (nove anos, três meses e 12 dias) e João Cristiano Pranke Marx (18 anos e seis meses). De acordo com informações do Ministério Público, João Cristiano, que recebeu a pena mais alta, era sócio-proprietário da empresa Crisma Transportes Ltda, com Angelica Caponi Marx. Juntamente com Daniel, que utilizava um posto de resfriamento para o recebimento do leite, os três eram responsáveis por todo o esquema voltado à adulteração do leite.
A base da denúncia do MP – que durante esse período prendeu 14 pessoas em seis cidades do interior do Rio Grande do Sul - atribui os crimes previstos nos artigos 272 e 288 do Código Penal: corromper, adulterar, falsificar ou alterar produto alimentício destinado a consumo e associação de três ou mais pessoas para fim específico de cometer crimes, respectivamente.
O juiz Ralph Moraes Langanke, que decretou a decisão judicial, ressaltou que o crime cometido pelos réus é um "delito desumano, repugnante, desprezível e nojento, que causa uma enorme aversão", podendo dizer, inclusive, que se trata de um crime mais grave do que o de tráfico de drogas. "O traficante vende o produto que o usuário de entorpecente procura. O consumidor vai ao comércio esperando comprar apenas leite", concluiu durante a sentença.
A FOLHA entrou em contato com o departamento de marketing da Confepar, mas até o fechamento desta edição ninguém da diretoria respondeu aos telefonemas da reportagem. Também tentou contato com o promotor Mauro Rockenbach, do Rio Grande do Sul, que estava à frente do processo, mas não obteve retorno.

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